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Assassinatos, tortura, humilhações, racismo, superlotação, falta de cuidados médicos e arbitrariedades de todo o tipo: as prisões brasileiras são filiais do Inferno na terra. Luis Brasilino, fala do livro BR 111 – A Rota das Prisões Brasileiras, uma parceria do Le Monde Diplomatique Brasil e editora Veneta, que reúne textos de alguns dos maiores especialistas no assunto.

 

 

Por Luís Brasilino *

Às vezes questionamos, com a prepotência que o passar do tempo nos confere, o comportamento das populações locais que viveram grandes atrocidades da história. “Como as pessoas não fizeram nada durante a ditadura, com tanta gente sendo presa e torturada?”; “e a escravidão, como alguém podia achar aquilo normal?”; “e o genocídio indígena?”. Daqui a vinte, cinquenta ou cem anos, o que pensarão do Brasil atual? É provável que seja difícil entender como a nossa sociedade conseguiu conviver (e boa parte dela entusiasmar-se!) com o sistema prisional.

Assassinatos, tortura, humilhações, má alimentação, racismo, superlotação, falta de cuidados médicos, arbitrariedades, presos sem julgamento etc. Neste momento, alguns detentos podem estar trancados há horas dentro de um camburão, sob o sol, num procedimento proposital conhecido como “micro-ondas”. Surtos de tuberculose e sífilis atacam grupos de prisioneiros. Psicofármacos, os únicos remédios que nunca faltam, são consumidos nas celas como mecanismo de controle. Uma grávida pode estar dando à luz algemada e será separada de seu bebê daqui seis meses.

Os relatos contidos neste livro são poderosos. E mostram que, como nos períodos históricos citados, muitos não cruzam os braços diante das injustiças. Os artigos (seis publicados no Le Monde Diplomatique Brasil, agora atualizados, entre 2015 e 2017 e seis inéditos) foram produzidos por militantes, pesquisadoras e pesquisadores das prisões brasileiras que, além da denúncia, fazem a análise do que sustenta esse sistema de produção de “vidas matáveis”, na expressão dos organizadores Fábio Mallart e Rafael Godoi. Esperamos que a obra possa contribuir para a abolição desse sistema.

 

*Luís Brasilino é editor do Le Monde Diplomatique Brasil

 

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