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Texto publicado originalmente em 2012.

Por Rogério de Campos

José Maria Berenguer, criador da El Víbora

José Maria Berenguer me deu o livro e disse: “leia, você vai gostar disto e vai querer publicar”. Berenguer, mestre, criador da El Víbora, que durante anos foi a melhor e mais importante revista do Ocidente, com a melhor seleção de quadrinhos ofensivos à Moral e Bons Costumes. Quando o conheci, já tínhamos vários autores em comum: Crumb, Shelton, Tamburini e Liberatore, Chester Brown, Mattioli, Charles Burns, os irmãos Hernandez, Daniel Clowes e tantos outros. Eu também já publicara vários dos autores espanhóis da El Víbora, como Max (Peter Punk), Murillo e Resano (Zestas) e Jaime Martin (Sangre de Barrio). Alguns na revista Animal, outros já na Conrad. Enfim, eu e Berenguer já nos conhecíamos quando nos conhecemos. E tive o prazer de me tornar seu amigo e o privilégio de ter algumas aulas com um dos melhores editores do mundo.

 

El Víbora

Berenguer costumava me indicar livros e novos autores, mesmo que não fossem de sua editora. Foi ele, por exemplo, quem me deu o toque para ir atrás dos manhwas coreanos, que venderam muito bem aqui no Brasil. Mas o caso desse livro que Berenguer dizia que eu iria gostar era diferente. Não era apenas um livro com grande potencial de venda. “É um livro muito importante”. E insistiu que eu era o editor para isso no Brasil.

Não gostei da capa original: tinha uma moldura, grande, e não gosto de capas com moldura. Então guardei o livro e passaram-se semanas, várias semanas, até que eu resolvesse lê-lo. El Arte de Volar. Nem preciso dizer que Berenguer, mais uma vez, estava certo.

Kim, o desenhista de A Arte de Voar, é um vulto histórico dos quadrinhos underground espanhóis, e um astro da Jueves, a famosa revista de humor da Espanha.  Sua série Martinez, el Facha (o Fascista) é algo que eu deveria ter publicado na Animal, e continua fazendo sucesso até hoje, quase 40 anos depois de sua estréia (talvez também porque o fascismo continue bem vivo, sinistro e ridículo). Mas, ainda assim, A Arte de Voar foi uma surpresa, e não só para mim: a tiragem inicial do livro, pela pequena e elegante Edicions de Ponent foi de apenas 1000 exemplares. Foi o boca a boca que o transformou em tamanho sucesso. Esse livro ganhou alguns dos principais prêmios dos quadrinhos europeus e foi publicado até em países como Coréia e Turquia. É uma daquelas HQs que conquistaram leitores até entre aqueles que não são leitores de quadrinhos.

A ARTE DE VOAR

Eu tinha lá meus planos, mas foi A Arte de Voar que me fez decidir de vez criar uma nova editora. Ou seja, a Veneta surgiu para publicar o A Arte de Voar. Depois vieram todos os outros, de que também me orgulho muito.

Cheguei a falar da Veneta para o Berenguer. Mas ele morreu pouco antes que ela surgisse oficialmente. Essa editora pretende honrar sua memória, sendo um desacato às autoridades.

 

 

 

 

 

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