fundo

A polícia para leigos

Cópia de Ponto_Quarenta

Quando conheci Roger Franchini, sua carreira como policial já estava acabada. Sua lista de desafetos era bastante respeitável, incluindo o secretário de segurança pública de São Paulo e o então governador José Serra. Algo que deixaria qualquer mãe orgulhosa. Mas eu não sabia de nada disso. A primeira vez que vi o nome dele foi em um dos tais blogopols, uma espécie de radio escuta policial em forma de blog que ainda hoje são das leituras mais interessantes na web brasileira. Eo nome de Franchini era bem respeitado por ali. “O Roger, para nós, é motivo de grande orgulho. Para a velhacaria dos meus pares –também dos tiras lambedores da administração- é mais um que deve ser perseguido e varrido do mapa”, dizia o Flit Paralisante naqueles primeiros dias de 2009.

Foi por um desses blogopols que eu soube que haveria o lançamento do primeiro livro do Franchini, em um bar de São Paulo. O nome da obra, Ponto Quarenta, uma referência à pistola da Polícia Civil. Era uma edição de poucas dezenas de exemplares, destinados não às livrarias mas a serem vendidos pelo próprio autor, para amigos. Eu ainda não era amigo, mas fui até lá. Grande sorte.
O livro, este que você tem em mãos em nova edição, é uma preciosidade. Sim, é um retrato devastador do funcionamento da Polícia Civil em São Paulo e seus mecanismos de corrupção. Mas é, antes de tudo e apesar do tamanho, um grande livro de ficção.
Depois deste Ponto Quarenta, o Roger escreveu Toupeira (2010), Richthofen (2011), Amor Esquartejado (2012) e Matar Alguém (2014), que foram para as listas dos mais vendidos e colocaram o Roger no topo da lista dos melhores escritores de livros criminais do Brasil. Enquanto aquela primeira edição do Ponto Quarenta começava a ser disputada no mercado de livros raros e reclamada pela crescente lista dos admiradores do autor. Sorte para mim que, além de fã, sou agora seu editor.

Rogério de Campos