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Leia trecho do livro A Revoada dos Galinhas Verdes, da coleção Baderna, com uma cronologia da luta contra o fascismo no início do século XX

Por Rogério de Campos

 

1916

novembro

Portugal ‑ É fundada a Junta Central do Integralismo Lusitano, abençoada pelo clero e inspirada nas ideias do francês Charles Maurras, ideólogo do movimento de extrema direita Action Française. Esse integralismo português, além de nacionalista, ultraconservador e antissemita, como seu futuro equivalente brasileiro, é também monarquista. O termo “integralismo” já estava sendo usado desde 1913, como subtítulo da revista Alma Portuguesa, editada por monarquistas exilados na Bélgica. Mas é em 1916, com o surgimento de sua Junta Central e a definição de seus estatutos, que o movimento se transforma em organização política.

 

1917

Rio de Janeiro ‑ Publicação de A Defesa Nacional, livro no qual o poeta Olavo Bilac louva a disciplina e a “educação da caserna” para todo o povo. Para Bilac, o serviço militar obrigatório “é o triunfo completo da democracia; o nivelamento das classes, a escolha da ordem, da disciplina, da coesão”. Bilac inspira Ligas Nacionalistas criadas por estudantes de diversas cidades brasileiras.  Entre os objetivos dessas Ligas estão “a luta contra atentados civis ou militares contra a soberania nacional” e “promover a organização e o desenvolvimento da defesa nacional pelo escotismo, linhas de tiro e preparo militar”.

fevereiro

02/02 ‑ Mato Grosso ‑ Em Miranda, acontece a última batalha da Revolta dos Conservadores também conhecida como Caetanada (em referência ao General Caetano Albuquerque, então governador do estado), uma guerra entre duas alas do Partido Republicano Conservador do Mato Grosso. Há uma intervenção do governo federal, mas a situação só se acalma no ano seguinte, quando é escolhido o novo governador: dom Aquino Correia, bispo de Cuiabá.

12/02 ‑ Portugal ‑ Lançamento do jornal A Monarquia, órgão oficial do integralismo lusitano.

maio

03/05 ‑ Rio de Janeiro ‑ Acontece, na Biblioteca Nacional, a sessão inicial da Conferência Judiciária Policial ‑ com a presença de convidados internacionais, do presidente da República e de seus ministros ‑, organizada por Aurelino Leal, chefe de polícia da capital federal. O principal tema do evento é o controle e a repressão dos movimentos sociais. O relator Galdino Siqueira faz seu resumo: “manifestada que seja a greve, a intervenção da polícia deve ter lugar!”. Aureliano Leal, odiado pelos anarquistas, alerta seus patrões da burguesia: “Vocês tomem cuidado! Se o proletariado decidir invadir suas casas e tomar tudo, não haverá como espingardeá-los!”.

julho

09/07 ‑ Greve geral em São Paulo. Cerca de 70 mil trabalhadores interrompem suas atividades. São operários, pedreiros, tecelões, marceneiros, cocheiros, eletricistas, sapateiros, alfaiates, cozinheiros, açougueiros, lavadeiras e tantos outros. A atividade industrial é paralisada. O comércio fecha as portas, e os teatros e cinemas também. Não há bondes, luz ou gás. Apesar da repressão brutal, responsável por várias mortes, a greve só termina quando os patrões aceitam dar aumento de salários e o governo liberta os grevistas presos. Em seguida, porém, o anarquista Edgard Leuenroth, do Comitê de Defesa Proletária (que liderou a greve), é preso e acusado de ser o “mentor psico-intelectual” do movimento grevista. Será libertado apenas no ano seguinte. O movimento inspira grandes greves em várias outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba.

(Greve-geral em São Paulo)

agosto

Rio de Janeiro ‑ A polícia fecha a Federação Operária do Rio de Janeiro. Greve na Companhia Cantareira e Viação Fluminense transforma-se em batalha campal, tendo de um lado a polícia e, do outro, os grevistas, a população e — surpresa — o 58º Batalhão de Caçadores, do Exército.

outubro

26/10 ‑ Rio de Janeiro ‑ Depois de meses de diversas manifestações populares nacionalistas (algumas bem violentas) contra a Alemanha, o presidente Venceslau Brás declara guerra ao Império Alemão e seus aliados, e o Brasil entra oficialmente na Primeira Guerra Mundial. Os anarquistas e alguns socialistas entram em choque com os nacionalistas e se manifestam contra a decisão do governo, o qual acusam de usar a medida para tirar o foco da questão social interna do país e facilitar a repressão ao movimento operário.

novembro

07/11 ‑ São Petersburgo ‑ Revolução Bolchevique.

 

1918

Vale do Paraíba (SP) ‑ Plínio Salgado participa da fundação do Partido Municipalista.

janeiro

06/01 ‑ Buenos Aires ‑ Fundação do Partido Comunista Argentino.

março

01/03 ‑ Rio de Janeiro ‑ Fundação da UGT (União Geral dos Trabalhadores).

22/03 ‑ Rio de Janeiro ‑ Explosão de uma bomba na casa do almirante e senador Alexandrino Faria de Alencar. Os culpados seriam marinheiros anarquistas.

maio

11/05 ‑ Rio de Janeiro ‑ O escritor Lima Barreto, simpatizante do anarquismo, escreve um artigo saudando a Revolução Russa: “A face do mundo mudou. Ave, Rússia!”.

JULHO

23/07 – Toyama (Japão) – Em Uozu, pequena vila de pescadores, começa a chamada Kome Sodo, uma revolta da população contra o governo e os negociantes de arroz. A revolta, que se estendeu por agosto e setembro, acabou por tomar centenas de cidades e vilas. Cerca de 25 mil pessoas foram presas, algumas delas condenadas à morte.

setembro

Recife ‑ Primeiros casos da gripe espanhola no Brasil, onde, em dois anos, a doença matou cerca de 300 mil pessoas, incluindo o presidente da República, Rodrigues Alves. Os ricos do Rio de Janeiro fogem para suas casas em Petrópolis.

novembro

09/11 ‑ Alemanha ‑ Proclamação da República na Alemanha. O kaiser Frederico II abdica e se exila na Holanda.

11/11 ‑ Alemanha ‑ Rendição alemã e fim da Primeira Guerra Mundial.

18/11 ‑ Rio de Janeiro ‑ Insurreição anarquista. Operários da indústria têxtil entram em greve simultaneamente no Rio, em Niterói, Petrópolis, Magé e Santo Aleixo. Inspirada pelas notícias que chegavam da Revolução Russa e articulada por sindicalistas e intelectuais anarquistas como José Oiticica (avô do artista plástico Hélio Oiticica), a insurreição tem como objetivo derrubar o governo brasileiro. O plano fracassa e centenas de operários e militantes são presos ou, no caso daqueles que são também imigrantes, expulsos do país. O governo fecha sindicatos e a União Geral dos Trabalhadores.

(José Oiticica)

1919

janeiro

05/01 ‑  Munique ‑ Fundação do nacionalista Partido Operário Alemão (Deutsche Arbeiterpartei), ao qual Hitler adere e que depois irá se transformar no Partido Nazista.

05/01 a 12/01 ‑ Berlim ‑ Levante Espartaquista em Berlim, uma tentativa de implantar um regime soviético na Alemanha. Mas a insurreição é derrotada pelo governo social-democrata, com o auxílio dos freikorps, grupos de paramilitares protofascistas, que aproveitam a ocasião para assassinar centenas de militantes da esquerda radical, entre eles Rosa de Luxemburgo e Karl Liebknecht, líderes da Liga Espartaquista. Esses assassinatos geram vários manifestações de repúdio e motins por toda a Alemanha, que são duramente reprimidos.

21/01 ‑ Irlanda ‑ Início da Guerra de Independência da Irlanda, contra o governo britânico.

(Rosa de Luxemburgo)

março

02/03 a 06/03 ‑ Moscou ‑ É realizado o 1º Congresso da Internacional Comunista (Também conhecida como III Internacional, ou Comintern).

09/03 ‑ Rio de Janeiro ‑ Entusiasmados com as notícias que chegavam da Revolução Russa, anarquistas fundam o Partido Comunista do Rio de Janeiro.

23/03 ‑ Milão ‑ Fundação, na praça de San Sepolcro, da organização Fasci Italiani di Combattimento, liderada por Benito Mussolini. Sansepolcrismo passou, tempos depois, a designar uma linha fascista supostamente “de raiz”, fiel às primeiras ideias do movimento.

abril

06/04 ‑ Munique ‑ No sul da Alemanha, é proclamada a República Soviética da Baviera, que passa a ser governada por socialistas, comunistas e anarquistas. A República Soviética tem vida curta: em 3 de maio, o exército e mais um contingente de 30 mil freikorps invade Munique, executa um massacre (mais de mil mortos) e restaura a “ordem”.

10/04 ‑ Chinameca (México) ‑ O líder revolucionário mexicano Emiliano Zapata é assassinado.

15/04 ‑ Milão ‑ Um bando de fascistas ataca e dispersa uma manifestação socialista, saqueia e incendeia a sede do jornal socialista Avanti!, matando dois militantes socialistas. Os fascistas consideram essa a primeira grande vitória de seu movimento.

maio

01/05 ‑ Brasil ‑ As comemorações do Dia do Trabalhador se transformam, em todo o país, em manifestações de apoio à Revolução Russa. A do Rio de Janeiro reúne 60 mil pessoas.

06/05 ‑ São Paulo ‑ costureiras fazem um comício na rua Barão de Itapetininga por uma greve geral. Outras categorias aderem. A greve é vitoriosa em suas reivindicações (semana de seis dias, jornada de oito horas, igualdade de salários entre homens e mulheres), mas seus líderes são presos.

junho

Brasil ‑ Onda de greves no Rio, em Recife e Salvador.

06/06 ‑ Milão ‑ Il Popolo d’Italia, jornal de Mussolini, publica o Manifesto Fascista (Il manifesto dei fasci italiani di combattimento), escrito pelo sindicalista Alceste De Ambris e o poeta futurista Filippo Tommaso Marinetti. O manifesto carrega várias posições progressistas, como voto universal, jornada de trabalho de oito horas, salário mínimo, diminuição da idade mínima para aposentadoria e até um compromisso de política exterior pacífica. No entanto, os ares progressistas do manifesto eram apenas fumaça. Pouco tempo depois, De Ambris rompeu com Mussolini, exilou-se na França e passou o resto da vida combatendo o fascismo.

16/06 ‑ São Paulo ‑ É fundado o Partido Comunista de São Paulo. Os anarquistas Edgard Leuenroth e Hélio Negro escrevem o livro que serve como manifesto do novo partido: “O que é Maximismo ou Bolchevismo: Programa Comunista”.

21/06 ‑ Rio de Janeiro ‑ Começa, no Rio de Janeiro, a Primeira Conferência Comunista do Brasil, na qual é distribuído o livro de Leuenroth e Negro.

28/06 ‑ França ‑ Assinatura do Tratado de Versalhes, que encerra oficialmente a Primeira Guerra Mundial. O tratado impôs severas sanções a Alemanha, que perdeu todas as suas colônias, parte de seu território e foi obrigada a pagar uma pesada reparação para os vencedores da Guerra. O tratado também estabeleceu a Liga das Nações.

(Edgard Leuenroth)

julho

13/07 ‑ Porto Alegre ‑ Início da greve dos metalúrgicos de Porto Alegre, que  dura mais de um mês, envolve toda a cidade e, apesar da grande repressão policial, é vitoriosa.

28/07 – Rio de Janeiro ‑ Epitácio Pessoa toma posse como novo presidente do Brasil.

 

novembro

São Paulo ‑ Estudantes direitistas da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco atacam e destroem a gráfica e a redação do jornal anarquista A Plebe, sob o olhar complacente da polícia.

16/11 ‑ Itália ‑ Mussolini é derrotado nas eleições gerais italianas. Os fascistas recebem apenas 2% dos votos. O Partido Socialista é o mais votado. Mas a burguesia, principalmente a rural, une-se para comprar armas e veículos para os squadristi fascisti, bandos fascistas que atacam sindicatos e jornais operários, com a conivência da polícia, do Exército e dos magistrados.

17/11 ‑ Milão ‑ Fascistas realizam um atentado a bomba contra a sede do jornal socialista Avanti!. Várias pessoas ficam feridas.

 

1920

fevereiro

24/02 ‑ Munique ‑ Já sob a liderança de Hitler, o Partido Operário Alemão muda de nome: Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei).

março

03/03 ‑ São Paulo ‑ Greve dos ferroviários.

abril

23/04 a 30/04 ‑ Rio de Janeiro ‑ Terceiro Congresso Operário Brasileiro, na sede da União dos Operários em Fábricas de Tecido, que reúne 64 entidades de diversos lugares do Brasil.

julho

19/07 a 07/08 ‑ Moscou ‑ É realizado o 2º Congresso da Internacional Comunista.

setembro

06/09 ‑ Pola (Itália) ‑ Os fascistas atacam a entidade sindical Camera del Lavoro, em Pola (na atual Croácia). A polícia apoia os fascistas e mata um jovem socialista, Vincenzo Foragioni. Três dias depois, no enterro de Foragioni, os fascistas voltam a atacar e matam cerca de dez pessoas.

novembro

04/11 ‑ Bolonha (Itália) ‑ Os fascistas destroem a sede local da Camera del Lavoro.

21/11 ‑ Bolonha ‑ Os fascistas disparam tiros contra a multidão que assistia à posse do novo prefeito (socialista) da cidade. Em meio ao caos que se segue, onze pessoas são mortas, dez delas militantes socialistas. Os fascistas usam a “Tragédia de Palazzo d’Accursio”, criada por eles mesmos, como pretexto para as mais selvagens “expedições punitivas” contra as organizações dos trabalhadores.

(A Tragédia de Palazzo d’Accursio, em Bolonha)

dezembro

22/12 ‑ Ferrara (Itália) ‑ Militantes socialistas atacam um desfile fascista e matam três camisas negras.

 

1921

janeiro

17/01 ‑ Rio de Janeiro ‑ O presidente Epitácio Pessoa promulga a Lei nº 4.269, conhecida como Lei da Repressão ao Anarquismo, decretando passível de prisão ou expulsão do país aquele que “por escrito ou por qualquer outro meio de publicidade, ou verbalmente” fomentasse a subversão da ordem social.

fevereiro

04/02 ‑ Rio de Janeiro ‑ Greve dos marinheiros.

08/02 ‑ Dmitrov (Rússia) ‑ Morre o pensador anarquista russo Piotr Kropotkin.

27/02 ‑ Florença ‑ Um grupo de anarquistas ataca um desfile fascista. Como vingança, horas depois uma milícia fascista investe contra a associação comunista dos inválidos de guerra e a redação do semanário L’Azione Comunista, onde o sindicalista Spartaco Lavagnini é assassinado.

março

07/03 a 17/03 ‑Rússia ‑ Revolta de Kronstadt, uma insurreição de marinheiros contra o governo soviético. A repressão ao movimento tornou-se um marco, para os anarquistas, do autoritarismo bolchevique, uma lembrança que até hoje provoca atritos entre anarquistas e trotskistas.

23/03 ‑ Milão ‑ Na mesma noite, as milícias atacam as redações do jornal Umanità Nova (anarquista) e do Avanti! (socialista), que é incendiada.

abril

21/04 ‑ Pavia (Itália) ‑ Fascistas assassinam o jovem dirigente do Partido Comunista Ferruccio Ghinaglia, de 21 anos de idade.

24/04 ‑ Bolzano (Itália) ‑ Com cassetetes, revólveres e granadas, milícias fascistas atacam um encontro sindical social-democrata e matam o professor Franz Innerhofer, que tentava proteger um grupo de crianças.

maio

01/05 ‑ Itália ‑ Os fascistas comemoram a data atacando em várias cidades: Roma, Ravena, Piacenza, Napoli, Bari, Rovigo, Pordenone, entre outras. Destroem sedes de entidades sindicais, empastelam jornais operários e assassinam comunistas, anarquistas e socialistas. Em sua Storia dell’Italia Moderna, o historiador Giorgio Candeloro conta que, só nesse primeiro semestre de 1921, os fascistas destruíram dezessete jornais e gráficas, dez bibliotecas e teatros, centenas de sedes de sindicatos, centenas de cooperativas de trabalhadores, 101 espaços culturais etc. E o próprio Candeloro admite que sua lista é incompleta. Além disso, segundo o historiador Gaetano Salvemini (Le origini del fascismo in Italia), as milícias fascistas mataram, entre 1921 e 1922, cerca de 3 mil pessoas.

junho

22/06 a 12/07 ‑ Moscou ‑ É realizado o 3º Congresso da Internacional Comunista.

julho

01/07 ‑ Roma ‑ Primeira manifestação pública dos Arditi del Popolo, grupo antifascista criado para resistir fisicamente à violência dos paramilitares camisas negras. Foi criado por um anarquista, Argo Secondari, e tinha a participação de comunistas, sindicalistas, socialistas, republicanos, futuristas, ex-integrantes das tropas de D’Annunzio e outros. Desde o início, sofreu a oposição das direções do Partido Comunista e do Partido Socialista. Uma rara publicação italiana que os apoiou foi o Umanità Nova, do anarquista Errico Malatesta.

07/07 ‑ Milão ‑ Os Arditi del Popolo são criticados pelo jornal Avanti!, do Partido Socialista Italiano.

15/07 – Itália ‑ Contra a direção do Partido Comunista Italiano, Antonio Gramsci escreve um artigo no L’Ordine Nuovo a favor dos Arditi del Popolo.

21/07 ‑ Rússia ‑ Lênin defende os Arditi del Popolo em um artigo publicado no Pravda, jornal oficial do Partido Comunista da União Soviética.

23/07 ‑ Jiaxing ‑ Fundação do Partido Comunista Chinês.

24 ‑ Roccastrada (Itália) ‑ Para se vingar da morte de um de seus integrantes, uma milícia fascista ataca Roccastrada, pequena cidade da Toscana, e mata aleatoriamente dez pessoas.

agosto

03/08 ‑ Itália ‑ Partido Socialista Italiano assina o Patto di Pacificazione (um acordo de paz) com o Partido Fascista, e ordena que seus militantes se afastem definitivamente dos Arditi del Popolo. O Partido Comunista também exige que seus militantes saiam dos Arditi.

12/08 e 13/08 ‑ Ravenna (Itália) ‑ As milícias fascistas tomam a cidade e destroem sindicatos, jornais e sedes dos partidos de esquerda.

novembro

07/11 ‑ Rio de Janeiro ‑ Jackson de Figueiredo, um ex-anarco-niilista convertido ao catolicismo, anticomunista, ultranacionalista e antissemita, cria a revista A Ordem, que se transformará na principal publicação da intelectualidade católica brasileira.

09/11 ‑ Roma ‑ Fundação do Partito Nazionale Fascista. Na estação ferroviária de San Lorenzo, uma milícia fascista que chega para o congresso de fundação mata o ferroviário Guglielmo Farsetti. O fato provoca revolta na população de San Lorenzo, e o bairro entra em guerra com os fascistas. O saldo final são sete mortos e centenas de feridos, mas San Lorenzo vence.

 

1922

janeiro

02/01 ‑ Santiago ‑ Fundação do Partido Comunista de Chile.

fevereiro

13/02 a 17/02 ‑ São Paulo ‑ Realização da Semana da Arte Moderna, na qual Plinio Salgado tem uma pequena participação.

março

25/03 a 27/03 ‑ Niterói ‑ Fundação do Partido Comunista do Brasil, desta vez sem anarquistas.

abril

22/04 ‑ Rússia ‑ Stalin é eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética.

maio

01/05 ‑ Itália ‑ Os fascistas comemoram o Dia do Trabalhador com uma jornada de ataques contra sindicados e partidos operários. Seis socialistas são assassinados, mas os antifascistas contra-atacam e eliminam seis camisas negras.

22/05 ‑ Rússia ‑ Lênin sofre seu primeiro AVC (acidente vascular cerebral), que o afasta da atividade política direta.

31/05 ‑ Bolonha ‑ As milícias fascistas ocupam a cidade e destroem as sedes dos sindicatos e dos partidos operários. Só se retiram no dia 2 de junho.

julho

05/07 e 06/07 ‑ Rio de Janeiro ‑ Acontece a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana. É a primeira manifestação do Tenentismo, movimento político-militar que mobilizou oficiais, principalmente os de baixa patente, por reformas políticas no Brasil.

15/07 ‑ Itália ‑ Os fascistas intensificam as ocupações de cidades. No dia 15, a vítima é Cremona. No dia 18, é Novara. No dia 30, Savona. Em agosto, cairão Florença, Pistoia, Alessandria e outras.

15/07 ‑ Tóquio ‑ Fundação do Partido Comunista Japonês.

agosto

06/08 ‑ Parma (Itália) ‑ Um grupo de 350 membros dos Arditi del Popolo lideram a população da cidade contra a invasão de um exército de 10 mil milicianos fascistas. É a última grande vitória do antifascismo na Itália.

setembro

22/09 ‑ Casignana (Itália) ‑ Policiais e fascistas abrem fogo contra camponeses da cooperativa Garibaldi, que haviam ocupado uma fazenda do príncipe di Roccella, em Casignana, na Calábria. Várias pessoas são mortas.

outubro

27/10 a 29/10 ‑ Itália ‑ Início da Marcha fascista sobre Roma. Um blefe bem-sucedido: bandos fascistas, mal armados, mal alimentados e desorganizados chegam às portas de Roma, que tinha forças regulares perfeitamente preparadas para desbaratar os invasores. Mas o Exército não faz nada, e o rei Vítor Emanuel III apenas saúda Mussolini, que chega na manhã do dia 30, no conforto de um vagão-leito, para tomar o poder como novo chefe de governo.

 

novembro

15/11 ‑ Rio de Janeiro ‑ Arthur Bernardes assume a presidência do Brasil. É criada a Quarta Delegacia Auxiliar do Distrito Federal, com o objetivo de combater a subversão. Delegacias semelhantes são criadas posteriormente em todo o Brasil.

30/11 ‑ Moscou ‑ Início do 4º Congresso da Internacional Comunista. É o último antes de a III Internacional ser dominada por Stalin, que depois dilui sua importância e a transforma em mero acessório de sua política externa até extingui-la definitivamente, em 1943.

dezembro

05/12 ‑ Moscou ‑ Fim do 4º Congresso da Internacional Comunista.

18/12 a 20/12 ‑ Itália ‑ O Massacre de Turim. Dois fascistas são mortos em uma briga. Em represália, os fascistas resolvem assassinar de maneira aleatória uma série de sindicalistas e militantes comunistas, anarquistas e socialistas sem qualquer relação com o caso. Onze militantes são mortos, alguns com a cabeça esmagada. Outros 26 são espancados.

23/12 ‑ Rússia ‑ Pouco depois de seu segundo AVC, Lênin dita o seu testamento político. Nele faz críticas a Trotsky e aos outros membros do Comitê Central soviético, mas é especialmente duro com Stalin. Lênin sugere que Stalin seja removido de sua posição de secretário-geral do Partido. A intenção de Lênin era que o documento fosse lido no XII Congresso do Partido, que iria acontecer em abril. Mas isso não é feito, e o documento permanece secreto por anos.

1923

janeiro

Buenos Aires ‑ Surgimento do Partido Nacional Fascista Argentino.

25/01 ‑ Rio Grande do Sul ‑ Inicia-se, no Rio Grande do Sul, a Revolução de 23, uma guerra civil local que opôs os chimangos (partidários do governador Borges de Medeiros) e os maragatos (partidários de Assis Brasil). O conflito durou onze meses.

março

São Paulo ‑ Fundação dos Fascio de São Paulo “Filippo Corridoni”, centro recreativo, assistencial e divulgador do fascismo na cidade de São Paulo. Outros são criados na sequência em outras localidades brasileiras onde havia grande presença de italianos e descendentes. O Banco Francês e Italiano obriga que todos os seus funcionários se filiem ao Fascio.

10/03 ‑ Rússia ‑ Lênin sofre o terceiro AVC. Fica paralisado e impossibilitado de falar.

abril

07/04 ‑ São Paulo ‑ Surgimento do jornal ítalo-brasileiro antifascista La Difesa, “Organo settimanale degli uomini liberi”.

julho

23/07 ‑ Chihuahua ‑ No México, o general revolucionário Pancho Villa é assassinado.

(Pancho Villa)

setembro

13/09 ‑ Barcelona ‑ O general Miguel Primo de Rivera torna-se ditador da Espanha, anunciando-se como aquele que vai livrar o país da corrupção dos políticos. Seu lema: “Patria, Religión, Monarquía”.

outubro

08/12 ‑ Rússia ‑ Trotsky escreve uma carta ao Politburo (Comitê Central) do Partido Comunista da União Soviética criticando duramente a burocratização e a falta de democracia interna na instituição.

15/12 ‑ Rússia ‑ Declaração dos 46, carta ao Politburo assinada por 46 líderes bolcheviques criticando a ausência de democracia interna no Partido e a condução da política econômica. Trotsky não assina a carta, mas ela marca o surgimento da Oposição de Esquerda, que, sob sua liderança, irá lutar até o início dos anos 1930 por uma regeneração do Partido Soviético. Nenhum dos signatários da carta irá sobreviver aos expurgos promovidos por Stalin.

26/12 ‑ Portugal ‑ O jornal A Monarquia, órgão oficial do integralismo português, saúda a ascensão de Mussolini na Itália e de Primo Rivera na Espanha: “Mussolini em Itália e Primo de Rivera em Espanha são o triunfo estrondoso daquelas verdades e daqueles métodos que desde 1914 o Integralismo Lusitano aconselha a todos os bons portugueses. Hora alta de triunfo esta hora em que na Europa Ocidental a reação nacionalista levanta a sua bandeira de resgate! […] se não houver Rei, que haja um Ditador, porque será chefe o que primeiro devolver Portugal ao rumo suspenso dos seus destinos eternos!”

São Paulo ‑ O conde Matarazzo, “Príncipe da Indústria Paulista”, líder inconteste dos industriais do estado, volta entusiasmado das férias na Itália, onde teve dois encontros com Mussolini: “Não posso ter motivos para reticências no que concerne à minha admiração”. O entusiasmo de Matarazzo aumenta nos anos seguintes. Em 1925, ele declara: “sou um grande admirador de Mussolini […] E eles se queixam de sua violência! Mas, mio Dio, não é possível transformar a mentalidade de toda uma multidão sem marcar com férrea disciplina a direção da nova estrada. Um idealista convicto não pode fazer concessões às massas nem àqueles que desejam explorá-las. E Mussolini, além de ser um idealista convicto, é também um extraordinário homem de ação.”

Entre as tantas honrarias que Matarazzo recebeu da Itália fascista, consta, por exemplo, a Medalha de Ouro do Mérito, acompanhada de uma carta autografada do Duce em reconhecimento pela doação de 1 milhão de liras ao Movimento da Juventude Fascista. Quando morreu, havia uma coroa de flores enviadas pelo Partido Fascista ao “Camarada Conde F. Matarazzo”, e foi realizada uma cerimônia fascista após a reza na capela.

Matarazzo está longe de ser o único entusiasta do fascismo entre os industriais paulistas. Alguns são discretos, como o comendador Alberto Bonfiglioli, que dá nome ao bairro na zona oeste de São Paulo, mas outros, como o conde Rodolfo Crespi, são bem animados. Assumidamente membro do partido fascista, Crespi pediu para ser sepultado com o uniforme do partido e deixou, como herança, 45 mil dólares para a pessoa física de Mussolini.

O tradicional colégio Dante Alighieri, do qual Crespi foi o fundador e presidente até 1938, transforma-se em dos redutos de doutrinação fascista. Emblemas do Partido Fascista e retratos de Mussolini faziam parte da decoração. Muitos professores e alunos se cumprimentavam com a saudação fascista.

(Conde Matarazzo, rico fascista)

1924

janeiro

Itália ‑ O poeta italiano Marinetti publica o livro “Futurismo e Fascismo,” no qual defende que o fascismo é um desenvolvimento natural do futurismo. O livro tem três retratos: um do próprio Marinetti, outro de Mussolini e outro do escritor e diplomata brasileiro Graça Aranha, para quem o Duce é “a figura da lei, viril na concepção da ordem”.

21/01 ‑ Gorki (Rússia) ‑ Morte de Lênin.

junho

10/06 ‑ Roma ‑ O deputado socialista Giacomo Matteotti, que vinha denunciando implacavelmente a violência e corrupção fascista, é sequestrado em plena luz do dia por uma milícia fascista e seu corpo permanece desaparecido por mais de dois meses. Todos, desde o início, já sabem que ele está morto e que Mussolini é o responsável, direta ou indiretamente. É um escândalo internacional, mas ninguém faz nada, e Mussolini segue no poder.

(São Paulo bombardeada, durante a Revolução de 1924)

julho

05/07 ‑ São Paulo ‑ Início da Revolução de 1924 na cidade de São Paulo, uma insurreição tenentista comandada pelo general reformado Isidoro Dias Lopes e pelo major Miguel Costa (da Força Pública), com a participação de João Cabanas, que depois participará da Batalha da Praça da Sé.

Os rebeldes ocupam São Paulo por 23 dias. O objetivo é ativar uma série de levantes semelhantes em outras cidades do país e provocar a queda do presidente da República. O governador Carlos de Campos foge para o interior do estado, e São Paulo é bombardeada por aviões enviados pelo governo federal. Derrotadas, as tropas rebeldes se retiram para Bauru e depois para Foz do Iguaçu.

Ainda que tenha sido um movimento militar, sem a participação de militantes operários, os governos aproveitam a oportunidade para prender socialistas, comunistas e anarquistas. José Oiticica, por exemplo, é preso no Rio de Janeiro já no dia 5 de julho e enviado com outros para uma prisão improvisada em uma ilha do litoral do Rio de Janeiro. Outras centenas de militantes operários foram enviadas para o campo de concentração de Clevelândia, no Amapá, onde mais da metade morreu em menos de quatro anos.

12/07 ‑ Bela Vista (MT) ‑ Rebelião militar em solidariedade aos tenentistas de São Paulo.

18/07 ‑ Aracaju ‑ Rebelião militar em Sergipe em solidariedade aos tenentistas de São Paulo.

23/07 ‑ Manaus ‑ A mais bem-sucedida rebelião militar tenentista de 1924 é justamente aquela que se concentrou nas questões sociais e envolveu a população da cidade, criando a Comuna de Manaus, que ocupou a cidade por mais de um mês e ganhou o apoio popular graças ao anúncio de medidas como impostos mais altos para os ricos e expropriação de empresas inglesas.

26/07 ‑ Belém ‑ Rebelião militar em solidariedade aos tenentistas de São Paulo.

(Chegada das tropas federais para combater a Comuna de Manaus, em 1924)

outubro

28/10 ‑ Rio Grande do Sul ‑ Levantes militares em Santo Ângelo, São Borja, Uruguaiana e São Luís dão origem à Coluna Prestes.

 

novembro

04/11 ‑ Rio de Janeiro ‑ Motim no encouraçado São Paulo. Um grupo de rebeldes, solidários com os tenentistas, toma o navio à força. Planejam bombardear o Palácio do Catete, sede do governo federal, mas desistem e resolvem ir com o navio para o Rio Grande do Sul, para se juntar às tropas tenentistas. Desistem disso também, e acabam se exilando no Uruguai.

14/11 ‑ Santa Maria (Rio Grande do Sul) ‑ Levante militar dá início à Coluna Etchegoyen, que dura até o mês seguinte.

 

dezembro

30/12 ‑ São Paulo ‑ O governo do estado de São Paulo cria o Departamento de Ordem Política e Social. É o primeiro DOPS do Brasil.

31/12 ‑ Florença ‑ O Circolo di Cultura, grupo liberal-socialista (não marxista e bem moderado) é fechado pelo prefeito fascista com uma explicação simples: “sua atividade provoca uma justa insatisfação no partido dominante”.

 

1925

 

janeiro

03/01 ‑ Roma ‑ Em um discurso na Câmara, o próprio Mussolini desfaz qualquer dúvida que ainda pudesse existir: “Se o fascismo tem sido uma associação de delinquentes, então eu sou o chefe desses delinquentes!”. É o início da ditadura fascista declarada. Mussolini decreta a dissolução das organizações “subversivas” que restavam, aumenta o número de prisões de oposicionistas, acaba com a liberdade de imprensa e aumenta as verbas para a repressão política e para as milícias fascistas.

abril

11/04 ‑ Foz do Iguaçu  ‑ Os tenentistas rebeldes derrotados da Revolução de 1924 paulista juntam-se à Coluna Prestes.

maio

01/05 ‑ Rio de Janeiro ‑ Lançamento do A Classe Operária, jornal do Partido Comunista do Brasil.

12/05 ‑ Tóquio ‑ O governo japonês edita a Lei de Preservação da Paz, específica contra comunistas, anarquistas e socialistas, que pune com dez anos de prisão, sujeitos a trabalhos forçados, qualquer um que participasse de associações para mudar o kokutai, termo japonês que pode significar “sistema de governo”, “soberania”, “essência da nação” ou qualquer coisa que o governo do momento entenda como razão para reprimir uma dissidência. Em 1928, a Lei passa a prever a pena de morte pelos crimes de atentado contra o kokutai. Mais de 70 mil pessoas são presas até que sua revogação, em 1945.

16/05 a 18/05 ‑ Rio de Janeiro ‑ Realização do II Congresso do Partido Comunista do Brasil.

25/05 ‑ Rio de Janeiro ‑ Mais um episódio das revoltas tenentistas no Rio de Janeiro. Revoltosos tentam tomar o Quartel do III Regimento Infantaria.

outubro

03/10 ‑ Florença ‑ Depois de acabarem com todas as organizações operárias, as milícias fascistas promovem um massacre de maçons e o que resta de oposição socialista na cidade. O massacre foi convocado dias antes, em 26 de setembro, pelo jornal Battaglia Fascista: “De agora em diante não se deve dar trégua à maçonaria e aos maçons. A devastação da Loja deles não foi o bastante, e seu resultado foi ridículo. É preciso golpear os próprios maçons, seus bens, seus interesses. Sem poupar nenhum. A pressão da nossa santa violência não deve permitir que eles deem qualquer sinal de vida.” Da noite do 3 de outubro até a manhã do dia seguinte, as milícias espancaram e mataram maçons, antifascistas ou quem lhes parecesse maçom ou antifascista. Invadiram, saquearam e incendiaram dezenas de casas. O advogado socialista Gustavo Console, por exemplo, foi morto a golpes de cassetetes e coronhadas em sua casa, na frente de seus filhos pequenos. A milícia fascista também invadiu a casa do deputado socialista Gaetano Pilatti, mutilado de guerra, e ele foi espancado tão brutalmente que acabou morrendo dois dias depois.

 

1926

maio

12/05 ‑ Varsóvia ‑ Na Polônia, o marechal Józef Pilsudski dá um golpe de estado e, ainda que não formalmente, torna-se ditador de fato até sua morte, em 1935.

15/05 ‑ Rio de Janeiro ‑ Acontece no Teatro Lírico a primeira de uma série de tumultuadas palestras do futurista e fascista Marinetti no Brasil. As palestras acabaram por se transformar em quase batalhas entre pró e antifascistas. Ao final, Marinetti mal conseguia falar, tantas eram as vaias e os insultos.

28/05 ‑ Portugal ‑ Em Braga, onde se reunia a fina flor do conservadorismo católico português para o Congresso Mariano (em louvor à Nossa Senhora), o general Gomes da Costa inicia sua Marcha sobre Lisboa, à maneira do que Mussolini tinha feito na Itália anos antes. É o golpe que implanta a ditadura militar.

agosto

03/08 ‑ Guadalajara ‑ No México, começa a chamada Guerra Cristera, uma insurreição conservadora da qual participam vários membros do clero e que pretende reverter diversos avanços da Constituição Mexicana de 1917. O objetivo mais explícito é acabar com a separação entre Igreja e Estado e restabelecer os privilégios da Igreja Católica banidos pela Constituição Mexicana.

setembro

11/07 ‑ Roma ‑ O anarquista Gino Lucetti, ex-integrante dos Arditi del Popolo, realiza um atentado contra Mussolini, mas fracassa e é preso. Inspira o nome do Battaglioni Lucetti, uma brigada da resistência anarquista que irá lutar dentro da Itália contra os fascistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Horas depois, ainda no dia 11 de setembro, no Harlem, em Nova York, dois fascistas morrem na explosão de uma bomba que tentavam instalar no local onde aconteceria uma manifestação antifascista. Um deles é decapitado pela explosão.

(Túmulo de Gino Lucetti, em Carrara)

outubro

23/12 ‑ Rússia ‑ Trotsky é excluído do Politburo do Partido Comunista da União Soviética.

novembro

06/11 ‑ Roma ‑ Alinhado com o pensamento católico, o fascismo aprova o decreto-lei 1848, que transforma em crime de estado exibir, vender, distribuir, produzir ou importar textos, desenhos, imagens e objetos que ofendam a “decência pública”. Incluído nessa proibição está qualquer tipo de material que possa promover meios de prevenção ou interrupção da gravidez.

15/11 ‑ Rio de Janeiro ‑ Washington Luís assume a presidência do Brasil. Getúlio Vargas é o ministro da Fazenda.

dezembro

25/12 ‑ Tóquio ‑ A posse do imperador Hirohito dá início ao Período Showa, marcado (até o Japão ser derrotado na Segunda Guerra Mundial) pelo totalitarismo político, ultranacionalismo e expansionismo militar. A inspiração é o fascismo ocidental.

 

1927

fevereiro

Rio Grande do Sul ‑ Na edição desse mês do O Sindicalista (jornal da Federação Operária do Rio Grande do Sul), um jovem anarquista responde aos militantes que criticam o uso de bombas na chamada “propaganda pela ação”: “Alguns dos velhos militantes que se querem tornar responsáveis e quartel general do movimento anarquista é que são completamente inibicionistas, fazendo esforço para enfraquecer a ação dos jovens anarquistas, julgando-nos cegos que nos deixamos levar pelas mãos”. O artigo chama-se “Dinamite, arma de heróis”.

março

24/03 ‑ Bolívia ‑ Fim da Coluna Prestes. Seus remanescentes depõem as armas na Bolívia (Prestes e Miguel Costa) e no Paraguai (Siqueira Campos). Na Bolívia, Prestes tem contato com dirigentes comunistas argentinos.

abril

27/04 ‑ Rio de Janeiro ‑ Congresso Operário Sindicalista.

julho

15/07 ‑ Viena ‑ Manifestantes protestam em frente ao Palácio de Justiça por causa da complacência com que a Justiça austríaca trata os bandos paramilitares de extrema direita. A polícia abre fogo e mata 84 manifestantes.

24/07 – Romênia ‑ É criada a Legião do Arcanjo Miguel, uma organização paramilitar fascista, cristã, anticomunista e antissemita, que tem como uniforme a camisa verde. Ela depois mudou o nome para Guarda de Ferro e auxiliou bastante os nazistas alemães durante a ocupação.

agosto

23/08 ‑ Boston ‑ Os anarquistas Sacco e Vanzetti são executados. Em protesto, acontecem greves e manifestações em todo o mundo. Em Buenos Aires, decreta-se greve geral, mas, além disso, horas depois da execução, o anarquista Severino Di Giovanni joga uma bomba na embaixada americana. Di Giovanni vai depois praticar atentados contra escritórios do Banco de Boston e do Citibank.

(Severino Di Giovanni, anarquismo explosivo)

outubro

25/10 ‑ Natal ‑ O Rio Grande do Norte é o primeiro estado brasileiro a permitir o voto feminino. No entanto, as mulheres que exerceram o direito nas eleições de 5 de abril do ano seguinte tiveram seus votos anulados pelo Senado.

novembro

12/11 ‑ Rússia ‑ Trotsky é expulso do Partido Comunista da União Soviética.

1928

 

Timbó (SC) ‑ Fundação do Partido Nazista brasileiro. Com 2900 membros, foi o maior partido nazista fora da Alemanha.

São Paulo ‑ Fundação da Ação Imperial Patrionovista Brasileira, uma organização de católicos tradicionalistas que defende a restauração da Monarquia, o fim da separação Estado-Igreja, a criação de uma nobreza, ensino religioso católico obrigatório etc. O grupo vai ter bastante influência na criação do Integralismo.

janeiro

01/01 ‑ São Paulo ‑ Primeiro número da Il Risorgimento, revista antifascista da comunidade italiana de São Paulo.

31/01 ‑ Rússia ‑ Trotsky é exilado em Alma Ata, no Cazaquistão.

fevereiro

14/02 ‑ Rio de Janeiro ‑ Durante uma reunião na União dos Gráficos do Rio de Janeiro acontece uma súbita falta de luz e, na sequência, um tiroteio no qual ficam feridos dez militantes (dois deles, anarquistas, morrem em consequência dos ferimentos). Os anarquistas acusam os comunistas, que, por sua vez, acusam supostos policiais infiltrados entre os anarquistas. Seja como for, é o rompimento definitivo entre anarquistas e comunistas no Rio de Janeiro.

março

São Paulo ‑ Com a chegada de Serafino Mazzolini, um veterano fascista, o consulado italiano passa a ser mais ativo no combate ao antifascismo dentro da comunidade italiana.

15/03 ‑ Tóquio ‑ Alarmado com crescimento dos socialistas e de candidatos apoiados pelo Partido Comunista nas eleições de fevereiro (a primeira em que todos os homens puderam votar), o governo endurece a repressão e prende 1652 pessoas suspeitas de serem comunistas ou simpatizantes do comunismo. A Lei de Preservação da Paz é modificada para incluir a pena de morte para crimes de subversão. Os poderes da Tokko, força policial encarregada dos crimes ideológicos, também conhecida como Shiso Keisatsu (“Polícia do Pensamento”), são ampliados. Em 1936, por exemplo, a Tokko chegou a prender quase 60 mil pessoas.

maio

23/05 ‑ Buenos Aires ‑ O anarquista Severino Di Giovanni explode uma bomba na embaixada italiana em Buenos Aires, onde acontecia um encontro de fascistas. Morrem nove dos fascistas, e outros 34 ficam feridos.

26/05 ‑ Buenos Aires ‑ Di Giovanni explode a casa de Cesare Afeltra, membro da polícia secreta de Mussolini.

julho

Moscou ‑ O VI Congresso da Internacional Comunista, dominado pelo stalinismo, defende que a social-democracia e o fascismo são “gêmeos”. E toda esquerda operária não stalinista é definida como “social-fascista” e considerada tão inimiga quanto o fascismo.

setembro

São Paulo ‑ Primeiro número do Bolletino dei Fasci Italiani all’Estero, órgão mensal do Fascio de São Paulo.

25/07 ‑ São Paulo ‑ O jornal fascista Il Piccolo, criado pelo industrial Rodolfo Crespi e voltado para a comunidade italiana de São Paulo, é atacado por estudantes depois de publicar um artigo ofensivo contra a educadora anarcofeminista Maria Lacerda de Moura. Os fascistas reagiram com tiros de revólver às vaias e pedradas contra o prédio do jornal. O tumulto aumentou e, apesar dos tiros e da proteção da polícia, chamada às pressas, a multidão conseguiu arrombar as portas do jornal, quebrar móveis e, para lamento do jornal, jogar pela janela doze retratos de Mussolini. A polícia também teve que proteger a sede do consulado italiano, a de outro jornal ítalo-brasileiro, o Fanfulla, e também a mansão do conde Matarazzo. No entanto, ainda que tenha havido algo de antifascismo no ataque ao jornal, foi mais que tudo uma manifestação nacionalista contra o fato de um estrangeiro ofender uma brasileira.

dezembro

São Paulo ‑ O tradicional Circolo Italiano, fundado em 1910, passa a abrigar as reuniões do Partido Fascista e se transforma em um dos principais centros de atividades fascistas no Brasil.

29/12 ‑ Rio de Janeiro ‑ III Congresso do Partido Comunista do Brasil.

1929

fevereiro

10/02 ‑ Rússia ‑ Trotsky é expulso da União Soviética.

11/02 ‑ Roma ‑ Mussolini e o Vaticano assinam o Tratado de Latrão, que marca a aliança da Igreja com o fascismo. E o Vaticano recebe 2 bilhões de liras a título de indenização por perdas ocorridas em governos italianos anteriores, menos amigáveis à Igreja.

13/02 ‑ Milão ‑ O papa Pio XI faz um discurso na Universidade Católica do Sagrado Coração, saudando entusiasticamente Benito Mussolini, que seria, segundo ele, “o homem que nos foi enviado pela Providência”. Fazia muito tempo que Pio XI era admirador de Mussolini. Em 1922, antes mesmo de ser papa, quando ainda era o cardeal de Milão, ele declarou: “Mussolini é um homem formidável!”.

março

Roma ‑ Padre José, então um célebre ativista do conservadorismo no Brasil e em Portugal, e articulista do Jornal do Brasil, tem um encontro com Mussolini. O próprio padre divulga que reclamou com o Duce a ausência de maior propaganda do fascismo na América Latina.

maio

01/05 ‑ Berlim ‑ A polícia da capital alemã, sob o comando do Partido Social-Democrata, abre fogo contra uma manifestação do Partido Comunista.

agosto

São Paulo ‑ Mário Pedrosa retorna da Europa já com planos de criar no Brasil um núcleo de dissidência do Partido Comunista. Nos meses seguintes, surge o Grupo Comunista Lenine, formado por Pedrosa, Aristides Lobo, Lívio Xavier, Wenceslau Escobar Azambuja, Rodolfo Coutinho e outros.

(Mário Pedrosa)

outubro

24/12 ‑ Nova York ‑ A Quinta-Feira Negra, início “oficial” da Grande Depressão. Com a quebra da Bolsa de Nova York, o mercado norte-americano perde 30 bilhões de dólares em dois dias. A produção industrial despenca quase 50%. Os efeitos são devastadores para as economias de todos os países industrializados, mas também para o Brasil e particularmente para São Paulo, que tinha sua economia baseada na exportação de um produto: o café. O preço da saca cai 90%. A crise produz um grande abalo no poder da oligarquia cafeeira paulista.

 

1930

 

janeiro

02/01 ‑ Rio de Janeiro ‑ Enorme comício promovido pela Aliança Liberal, que divulga sua plataforma política, contendo pontos como anistia para os tenentistas e voto secreto.

08/01 ‑ Büyükada (Turquia) ‑ Leon Trotsky redige “O ‘Terceiro Período’ dos Erros da Internacional Comunista”, no qual critica o programa ultraesquerdista da Internacional Comunista.

28/01 ‑ Madrid ‑ Queda do ditador Primo de Rivera na Espanha.

fevereiro

Bruxelas ‑ O jornalista católico Leon Degrelle funda na Bélgica o Partido Rexista, anticomunista, antissemita, ultraconservador. O nome oficial do partido era Christus Rex (Cristo Rei). Degrelle depois colaborou entusiasticamente com os invasores nazistas, tanto que depois da Segunda Guerra teve que fugir da Bélgica (onde foi condenado à morte por traição) e só encontrou abrigo na Espanha de Franco, onde morreu em 1994. Mesmo depois da Segunda Guerra, vangloriava-se de sua proximidade com Hitler, que lhe teria dito: “Se eu tivesse um filho, gostaria que fosse como você”. Degrelle foi muito amigo do quadrinista Hergé (também militante da extrema direita belga), e teria sido a inspiração para a criação do personagem Tintim.

março

01/03 ‑ Brasil ‑ Júlio Prestes, representante da oligarquia paulista, vence Getúlio Vargas nas eleições presidenciais. A Aliança Liberal considera que a eleição foi fraudada e não aceita seu resultado.

abril

Buenos Aires ‑ Conferência do Secretariado Sul-Americano da Internacional Comunista. É decidido o fim do Bloco Operário e Camponês (frente eleitoral impulsionada pelo PCB). Início do obreirismo, política que resulta na designação para os postos mais altos dentro do PCB dos militantes ““genuinamente operários”“ e no afastamento de praticamente todos os fundadores do partido.

06/04 ‑ Paris ‑ Criada a Oposição Internacional de Esquerda (trotskista).

maio

07/05- Buenos Aires ‑ Luiz Carlos Prestes anuncia seu “Manifesto de Maio”, no qual ataca a Aliança Liberal e coloca a necessidade de uma “verdadeira insurreição”.

08/05 ‑ São Paulo ‑ Lançado o primeiro número de A Luta de Classe, órgão do Grupo Comunista Lenine. Nesse momento, Fúlvio e sua irmã Lélia Abramo já fazem parte da GCL.

29 – Rio de Janeiro – O jornal Diário da Noite publica o Manifesto de Maio, de Prestes.

julho

Buenos Aires ‑ Luiz Carlos Prestes, Silo Meireles, Emídio Miranda e Aristides Lobo (o único civil) fundam a Liga de Ação Revolucionária.

04/07 ‑ Roma ‑ Plinio Salgado escreve da Itália a respeito do encontro que teve com Mussolini: “Contando eu a Mussolini o que tenho feito, ele achou admirável o meu processo, dada a situação diferente de nosso país. Também como eu, ele pensa que, antes da organização de um partido, é necessário um movimento de ideias.”

26/07 ‑ Recife ‑ Assassinato de João Pessoa, candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas.

setembro

05/09 ‑ São Paulo ‑ Primeiro número de Italia Libera, publicação antifascista voltada para a comunidade ítalo-brasileira.

14/09 ‑ Alemanha ‑ Os nazistas obtêm sucesso nas eleições e se tornam o segundo maior partido do país.

outubro

São Paulo ‑ Fundação da Ação Universitária Católica de São Paulo, que declara guerra não apenas aos comunistas e ateus, mas também aos que, para ela, não são católicos o suficiente. “Visamos principalmente a mocidade, a cujo indiferentismo declaramos guerra de morte […] pois ou somos católicos integrais ou somos traços de união entre o catolicismo e o bolchevismo”.

03/10 ‑ Brasil ‑ Eclode a revolução liderada pela Aliança Liberal, a chamada Revolução de 30. Seu início é conflagrado de forma simultânea no Rio Grande do Sul, na Paraíba, em Minas Gerais e no Paraná.

12/10 e 13/10 ‑ Quatiguá ‑ Acontece, no norte do Paraná, a Batalha de Quatiguá, na qual unidades do Exército fiéis ao governo federal, reforçadas por contingentes da força policial de São Paulo, são derrotadas pelas tropas da Aliança Liberal.

24/10 ‑ Rio de Janeiro ‑ Uma junta militar depõe o presidente Washington Luís. Diversos governadores de estados também são depostos.

novembro

01/11 ‑ Rio de Janeiro ‑ A junta militar transfere o poder para Getúlio Vargas, como presidente provisório.

12/11 ‑ São Paulo ‑ É criada a Legião Revolucionária de São Paulo, liderada pelo tenentista Miguel Costa, como força de apoio a Vargas e contra a oligarquia paulista.

16/11 ‑ Copenhague ‑ Criação do Partido Nacional Socialista do Dinamarca.

28/11 ‑ Rio de Janeiro ‑ Criado o Ministério do Trabalho.

Rio de Janeiro ‑ em reunião do Comitê Central, Astrojildo Pereira é destituído do cargo de secretário-geral do PCB.

1931

janeiro

15/01 ‑ Rio de Janeiro ‑ O marechal da Força Aérea fascista Italo Balbo, “herdeiro” de Benito Mussolini, chega ao Rio de Janeiro pilotando um Savoia-Marchetti S.55 e é recebido como um herói pelo presidente Getúlio Vargas.

21/01 ‑ São Paulo ‑ Na Associação dos Empregados do Comércio, na rua Líbero Badaró, é fundada a Liga Comunista Internacionalista, a partir do Grupo Comunista Lenine. Além de Mário Pedrosa, Aristides Lobo, Fúlvio Abramo e os outros integrantes do GCL, diversos outros militantes participam do evento, entre eles o poeta francês Benjamin Péret.

fevereiro

Belo Horizonte ‑ Surge, em Minas Gerais, a Legião de Outubro, equivalente da Legião Revolucionária de São Paulo, mas com um caráter ainda mais próximo do fascismo, cuja influência é visível em seu programa. A organização paramilitar tem como uniforme a camisa parda, como a dos nazistas.

março

05/03 e 06/03 ‑ São Paulo ‑ O jornal O Estado de S. Paulo publica o manifesto da Legião Revolucionária de São Paulo, escrito por Plínio Salgado.

09/03 ‑ São Paulo ‑ Primeiro número de Lo Spaghetto, jornal satírico ítalo-brasileiro, que, ao menos nos primeiros tempos, tem orientação antifascista.

12/03 ‑ Montevidéu ‑ Luiz Carlos Prestes publica carta aberta em que defende o Partido Comunista e critica os tenentistas que aderiram a Vargas.

13/03 a 15/03 ‑ São Paulo ‑ Terceira Conferência Operária Estadual reúne diversos sindicatos de orientação anarcossindicalista. É nela que acontece a retomada da FOSP (Federação Operária de São Paulo), criada em 1905. A FOSP era localizada na rua Quintino Bocaiúva, número 80.

19/03 ‑ Rio de Janeiro ‑ Assinado o decreto nº 19.770, a Lei dos Sindicatos varguista.

abril

14/04 ‑ Madri ‑ Queda da monarquia espanhola: Alfonso XIII abdica.

28/04 ‑ São Paulo ‑ Deflagrado um levante por jovens oficiais da Força Pública de São Paulo contra seu chefe, Miguel Costa, e o tenentista João Alberto Lins de Barros, nomeado governador do estado por Getúlio Vargas. O levante, porém, é prontamente debelado. Mais de duzentos rebeldes são presos.

junho

Rio de Janeiro ‑ Fundação do Clube 3 de Outubro, uma organização formada por tenentistas em defesa de Vargas.

18/07 ‑ Rio de Janeiro ‑ Octávio Brandão, um dos fundadores do PCB e o principal teórico do partido, é exilado por Getúlio Vargas. Vai com a família para a Alemanha, de onde seguem para a URSS. Retornaria somente no final de 1946.

julho

13/07 ‑ São Paulo ‑ Pressionado pela oligarquia paulista, o impopular João Alberto Lins de Barros renuncia ao cargo de governador de São Paulo.

agosto

São Paulo ‑ A polícia prende todos os membros do Comitê Regional do PCB paulista.

09/08 ‑ Berlim ‑ O Partido Comunista Alemão e o Partido Nazista formam uma frente única para que seus membros votem no chamado Plebiscito Vermelho pela destituição do governo Social-Democrata.

23/08 ‑ Fortaleza ‑ Criação da Legião Cearense do Trabalho, entidade católica, ultraconservadora, militarista e anticomunista. Entre seus líderes, está o padre Helder Câmara. Mais tarde, a LCT vai se juntar aos integralistas.

setembro

São Paulo ‑ Surgimento do O Trabalhador, órgão oficial da Federação Operária de São Paulo, de orientação anarcossindicalista. Seu editor é o espanhol Hermínio Marcos Hernandez.

outubro

Uruguai ‑ Luiz Carlos Prestes parte de Montevidéu para Moscou.

29/10 ‑ Recife ‑ Levante do 21º Batalhão de Caçadores de Recife tem o apoio da polícia civil e militar. Dura três dias.

novembro

São Paulo ‑ É criada a Opera Nazionale Dopolavoro, uma das importantes entidades fascistas de São Paulo.

26/11 ‑ Büyükada (Turquia) ‑ Leon Trotsky escreve “Está na Alemanha a Chave da Situação Internacional” e vários outros textos que serão reunidos por Mário Pedrosa e publicados pela Editora Unitas sob o título Revolução e Contrarrevolução na Alemanha. Nesses textos, Trotsky denuncia a política da Internacional Comunista, que favorece a ascensão do nazismo.

dezembro

14/12 ‑ Amsterdã ‑ Criação do Partido Nacional Socialista Holandês.

 

1932

fevereiro

16/02 ‑ São Paulo ‑ O Partido Democrático, que antes apoiava Vargas, junta-se ao Partido Republicano Paulista para formar a Frente Única Paulista, em oposição ao governo federal.

24/02 ‑ Rio de Janeiro ‑ O decreto nº. 21.076 institui o 1º Código Eleitoral Brasileiro, que estende às mulheres o direito de votar. Houve ainda alguma polêmica porque, pelo anteprojeto, restavam várias restrições ao voto feminino. Essa versão anterior do texto especificava que no caso, por exemplo, de mulher solteira, só poderia votar aquela que “tenha economia própria e viva de seu trabalho honesto ou do que lhe rendam bens, empregos ou qualquer outra fonte de renda lícita”. Ao final, acabou-se desistindo das restrições, e todas as mulheres com mais de 21 anos passaram a ter o direito. Mas o voto continuou obrigatório apenas para os homens.

março

Rio de Janeiro ‑ Na edição número 5 da revista Hierarchia (que reunia futuros integralistas e intelectuais católicos em geral e cujo nome se inspirava no da revista oficial do fascismo italiano: Gerarchia), Plínio Salgado se derrete ao descrever seu encontro com o Duce: “Numa tarde de junho, depois de ter visto toda a Itália Nova, depois de a ter julgado com todo o rigor, eu me vi, no Palácio Veneza, frente a frente com o gênio criador da política do Futuro. […] Era Mussolini. Esse homem criara a Nova Itália […] Lembro-me bem das palavras em minha despedida. Mussolini lera no meu olhar meu grande amor pelo meu Brasil. Augurou-me os mais completos triunfos à mocidade do meu país. E concitando-me a não esmorecer no entusiasmo e na fé pelo futuro do Brasil, pediu-me que fizesse justiça à sua Itália.”

12/03 ‑ São Paulo ‑ Plínio Salgado funda a Sociedade de Estudos Políticos, no Salão de Armas do Clube Português, na avenida São João. A SEP é o embrião da Ação Integralista.

abril

05/04 ‑Santiago ‑ Criação do Partido Nacional Socialista de Chile.

maio

02/05 ‑ Brasil ‑ Começa uma onda de greves no Rio e em São Paulo, envolvendo ferroviários, padeiros, sapateiros, garçons, operários da indústria têxtil e outros. O governo reprime duramente, e prende centenas de líderes sindicais.

03/05 ‑ Rio de Janeiro ‑ Respondendo às pressões da oposição, Vargas marca as eleições da Assembleia Nacional Constituinte para o ano seguinte.

15/05 ‑ São Paulo ‑ Primeiro número de I Quaderni della Libertà, publicação antifascista voltada para a comunidade ítalo-brasileira.

22/05 ‑ São Paulo ‑ Comício na Praça do Patriarca, em São Paulo, contra o governo de Getúlio Vargas.

23/05 ‑ São Paulo ‑ Depois de mais um comício na Praça do Patriarca, uma multidão saqueia uma loja de armas, ataca jornais pró-Getúlio e atira contra a sede da Legião Revolucionária. Os legionários respondem com disparos de metralhadoras. Muita gente é ferida, e quatro estudantes são mortos: Euclides Bueno Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo de Camargo Andrade. Começa ali a chamada Revolução Constitucionalista, que será deflagrada oficialmente no dia 9 de julho.

junho

15/06 ‑ Gran Chaco ‑ Início da Guerra do Chaco, entre Bolívia e Paraguai.

julho

09/07 ‑ São Paulo ‑ Início oficial da Revolução Constitucionalista. Os dirigentes paulistas esperavam receber o apoio de aliados no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, no Mato Grosso e em outros estados, mas tal apoio não veio.

20/08 ‑ Surgimento do Partido Fascista Argentino. “A democracia liberal, chegada à plenitude senil, lega-nos como corolário seus frutos legítimos: o caos, a desordem, a desocupação e o comunismo judaico”, diz seu manifesto.

setembro

29/09 ‑ São Paulo ‑ A Revolução Constitucionalista é derrotada militarmente.

Rio de Janeiro ‑ Gustavo Barroso, futuro comandante-geral das milícias integralistas, já antissemita furioso (e tradutor do “Protocolos dos Sábios de Sião”), torna-se presidente da Academia Brasileira de Letras. Depois ele iria começar a participar de reuniões da ABL vestido com o uniforme integralista.

 

(O integralista Gustavo Barroso e seus rapazes)

outubro

01/10 ‑ Londres ‑ Oswald Mosley funda o British Union of Fascists, com apoio (financeiro inclusive) de Lorde Ruthermere e seu jornal, o Daily Mail.

02/10 – Cruzeiro (SP) ‑ Rendição dos líderes da Revolução Constitucionalista. Tropas gaúchas ocupam São Paulo. Foi o maior conflito militar brasileiro no século XX.

07/10 ‑ São Paulo ‑ Em cerimônia realizada no Teatro Municipal de São Paulo, é criada a Ação Integralista Brasileira. Sua divisa é a mesma do franquismo e do salazarismo: “Deus, Pátria, Família”. Seu símbolo é a letra grega sigma, porque, entre tantas razões, “é a letra com a qual os primeiros cristãos da Grécia indicaram a palavra Deus”.

novembro

01/11 ‑ São Paulo ‑ É fundada a Legião Cívica 5 de Julho, uma organização ligada ao tenentismo e que irá participar da criação do Partido Socialista Brasileiro.

06/11 ‑ São Paulo ‑ Mário de Andrade, que havia apoiado entusiasticamente a Revolução Constitucionalista, lamenta, em uma carta para Carlos Drummond de Andrade, a indiferença da classe proletária pelas campanhas de alistamento da insurreição comandada pela elite paulista: “Dos quase 200 mil operários de fábrica paulistas, muitos trabalhados pelo comunismo, a contribuição de voluntários para guerrear não foi mínima, foi nula”.

15/11 a 25/11 ‑ Rio de Janeiro ‑ É realizado o 1º Congresso Nacional Revolucionário, com o objetivo de unificar as diversas tendências tenentistas. Mesmo a Ação Integralista Brasileira chegou a participar (mas se retirou antes de seu término). O Congresso decide fundar o Partido Socialista Brasileiro. Apesar do nome, trata-se na verdade de um partido nacionalista. O socialismo defendido é do tipo “moderado e sadio, adstrito à geografia brasileira”. Mesmo assim, o PSB torna-se o abrigo de vários socialistas.

1933

janeiro

São Paulo ‑ A educadora anarcofeminista Maria Lacerda de Moura publica seu livro Fascismo ‑ Filho dileto da Igreja e do Capital: “O clericalismo é o pai do fascismo. Mussolini e Hitler são os dois braços seculares da Igreja neste momento histórico. Representam o desespero do cristianismo pretendendo reorganizar os autos da fé e acender outra vez as fogueiras da Inquisição.”

30/01 ‑ Berlim ‑ O presidente Hindenburg nomeia Hitler chanceler do Reich.

(Maria Lacerda de Moura, anarquista, feminista e anticlerical)

fevereiro

Portugal ‑ Francisco Rolão Preto, da Junta Central de Integralismo Lusitano, cria um novo agrupamento político: o Movimento Nacional-Sindicalista, mais alinhado ao “moderno” fascismo da época. Seu símbolo é a Cruz de Cristo. Os integrantes do movimento fazem a chamada “saudação romana” (em moda entre os fascistas de todo o mundo) e serão conhecidos como “camisas azuis”, por causa de seu uniforme. Já em meados do ano, Rolão Preto entra em atrito com o Estado Novo do ditador Salazar. Em 1934, o integralista português é exilado e o seu Movimento Nacional-Sindicalista, banido. Como uma repetição da história, em 1937 o integralismo brasileiro entra em atrito com Getúlio Vargas quando é instaurado o Estado Novo. A Ação Integralista é proibida, e Plínio Salgado parte para o exílio em Portugal. Pode-se acusar os autoritarismos brasileiros de quase tudo, menos de qualquer originalidade.

04/02 a 08/02 ‑ Paris ‑ Pré-Conferência Internacional da Oposição Internacional de Esquerda, que reafirma a política de “oposição” e de “reforma” dos PCs e da Internacional Comunista.

05/02 ‑ São Paulo ‑ Fundação da seção paulista do Partido Socialista Brasileiro.

27/02 ‑ Berlim ‑ Incêndio do Reichstag, sede do parlamento alemão. A polícia acusa um jovem antifascista holandês, Marinus van der Lubbe. Os nazistas dizem que van Lubbe faz parte de uma suposta conspiração comunista e usam o incêndio como justificativa para uma maior concentração de poderes nas mãos de Hitler. Os comunistas denunciam o processo jurídico farsesco e sustentam que o incêndio é parte de uma conspiração dos próprios nazistas. Os anarquistas, em geral, aplaudem van Lubbe como um herói.

março

04/03 ‑ Viena ‑ Na Áustria, o chanceler Engelbert Dollfuss, do Partido Social Cristão, apoiado pela burguesia e pela Igreja Católica, fecha o Parlamento, suspende as liberdades civis e prende vários líderes do Partido Socialista. É o início do “austro-fascismo”.

23/03 ‑ Berlim ‑ O parlamento alemão aprova a Gesetz zur Behebung der Not von Volk und Reich (“Lei para sanar a aflição do povo e da nação”), mais conhecida como Lei de Concessão de Plenos Poderes. É o início da ditadura de Adolf Hitler. A lei é aprovada graças à Igreja Católica, que ordena a seu partido, o Centro Católico, que vote a favor. Como os comunistas tinham sido banidos, os únicos votos contrários são do Partido Socialista.

28/03 ‑ Alemanha ‑ O Partido Nazista ordena um boicote às lojas pertencentes a judeus.

abril

Porto Alegre ‑ Constituição da antifascista Liga für Menschenrechte ‑ Ortsgruppe Porto Alegre (Liga de direitos humanos ‑ grupo Porto Alegre), que reuniu socialistas em geral e, principalmente, anarquistas. Nesse mesmo mês, a Liga lança seu jornal: Aktion, que durou até outubro de 1937 e teve cerca de noventa edições.

03/04 ‑ São Paulo ‑ Primeiro desfile integralista na cidade.

11/04 ‑ Lisboa ‑ Entra em vigor a nova Constituição elaborada por António de Oliveira Salazar. É a implantação do Estado Novo. Sua divisa: “Deus, pátria, família”. A ditadura salazarista só vai terminar em 1974, com a Revolução dos Cravos.

26/04 ‑ Berlim ‑ Criação da Gestapo.

maio

02/05 ‑ Na Alemanha, tropas de choque nazistas tomam violentamente as sedes dos sindicatos. Eles são substituídos por uma Frente Alemã do Trabalho, comandada pelo Partido Nazista. Fica proibida qualquer tipo de representação operária independente.

03/05 ‑ Brasil ‑ Eleição para a formação da Assembleia Nacional Constituinte. Em São Paulo, o Partido Socialista Brasileiro, apesar do apoio do governo federal (ou por causa disso), tem um péssimo resultado: apenas três deputados eleitos, entre eles Zoroastro Gouveia. Isso provoca uma debandada dos carreiristas e da ala direita do partido. Ficam apenas os socialistas de fato.

19/05 ‑ São Paulo ‑ Um grupo armado invade e depreda a sede da Federação Operária de São Paulo. Sindicalistas são levados para uma delegacia, de onde eles são liberados apenas no dia seguinte, quando o delegado, ao chegar para o trabalho, diz que não sabe quem ordenou as prisões e o ataque.

27/05 ‑ São Paulo ‑ Circula o primeiro número do jornal antifascista O Homem Livre.

junho

17/06 ‑ São Paulo ‑ O Homem Livre nº 4 publica “Enquanto se prepara o ‘Raid” de Balbo ‑ Como se assassina Antonio Gramsci”, o primeiro texto sobre o comunista italiano publicado na imprensa brasileira. O artigo foi escrito pelo imigrante trotskista Goffredo Rosini, que fora companheiro de Gramsci no PC italiano e também na prisão. O editorial do Homem Livre nº 4 responde a um ataque do semanário fascista Corrieri degli Italiani contra o jornal antifascista, que seria, segundo Corrieri, uma “cobra que injeta veneno”, uma “seringa venenosa” que trata “sarcasticamente […] uma instituição [o governo fascista italiano] que não diz respeito, de nenhuma forma, aos brasileiros”. O HL responde: “O fascismo nos interessa sob todos os pontos de vista. Em primeiro lugar, porque somos educados num alto senso da liberdade e a defendemos onde quer ela esteja sufocada e consideramos como feita contra nós a ofensa feita contra um nosso semelhante”.

O jornal também traz um desenho de George Grosz que mostra um grupo de nazistas nus botando fogo em livros. Uma nota esportiva comemora a vitória do boxeador judeu Max Baer sobre o alemão Max Schmeling (o boxeador favorito de Hitler).

22/06 ‑ São Paulo ‑ Um policial infiltrado registra que, nesse dia, anarquistas se reuniram para criar um Comitê Antifascista Libertário.

25/06 ‑ É fundado, em São Paulo, nas dependências da União Cívica 5 de Julho, a Frente Única Antifascista.

julho

02/07 ‑ São Paulo ‑ O Homem Livre nº 6. Toda a primeira página é para comemorar a constituição da Frente Única Antifascista de São Paulo. Nas páginas internas, entre várias matérias, uma denuncia o uso de métodos fascistas pela polícia carioca, dirigida por Filinto Müller, que proibiu qualquer assembleia ou reunião sindical sem prévia autorização policial. Além disso, Mário Pedrosa escreve dois artigos: um sobre a artista plástica Käthe Kollwitz e outro sobre o filme Scarface.

08/07 ‑ São Paulo ‑ Box na capa do jornal O Homem Livre nº 7: “‘O Homem Livre’ foi obrigado a mudar de tipografia. Elementos fascistas da colônia alemã, tiveram bastante força e desplante para fazer com que o proprietário da tipografia que imprimia nosso jornal de combate se visse na contingência de não poder continuar a prestar os seus serviços. Esses agentes do fascismo alemão, dentro da vida nacional, têm pois capacidade de boicotar o que for contra os interesses universais do fascismo. São a teia do obscurantismo, que imobiliza até o trabalho privado, o exercício da profissão de quem não lhe é favorável.” Outra nota informava que, desde o dia 5 de junho, a fachada do consulado alemão na rua Liberdade, em São Paulo, passou a ter, além da bandeira da Alemanha, também a bandeira nazista. “Pela primeira vez, parece, tremulou esse ultrajante pendão sob os céus paulistas”. O socialista italiano Francesco Frola escreve sobre a parceria do papa com o fascismo.

11/07 ‑ Toronto  ‑ Acontece uma grande greve em protesto contra o hitlerismo e contra a violência policial local, com a participação de 25 mil operários. A greve é liderada pela seção canadense da trotskista Oposição de Esquerda Internacional e pela ala esquerda do grupo operário judaico Poale Zion. É, até então, a maior manifestação da classe operária contra o fascismo na América do Norte.

14/07 ‑ São Paulo ‑ Comício da Frente Única Antifascista, em São Paulo, na Lega Lombarda, presidido por Aristides Lobo, da Liga Comunista Internacionalista. É divulgado o “Manifesto da Frente Única Antifascista”.

14/07 ‑ Berlim ‑ Na Alemanha, o Partido Nazista proíbe todos os outros partidos.

20/07 ‑ Roma ‑ Assinatura da Concordata entre a Alemanha e o Vaticano. É a retribuição de Hitler pelo apoio católico à aprovação da Lei de Concessão de Plenos Poderes, que instaurou a ditadura nazista. Com a assinatura do acordo, o Vaticano entra para a história como o primeiro país a reconhecer a legitimidade do regime nazista.

29/07 ‑ São Paulo ‑ A Plebe nº35: “Combater o fascismo é uma questão de dignidade humana. […] Os arremedos hitleristas e mussolínicos começam a se manifestar, olfateando sorrateiramente a ocasião. Nalguns bairros desta grande metrópole movida por milhares de braços proletários, já os mensageiros do ‘duce’ se embriagam no recrutamento dos ‘squadristi’ a quem devem entregar a monstruosa camisa oliva, e iniciar a matança, o incêndio e a destruição fazendo reviver o passado da Inquisição em pleno século XX.”

agosto

01/08 ‑ São Paulo ‑ O jornal católico Diário de Aparecida, em um artigo chamado “Alerta, católicos”, alertou seus leitores contra a Frente Única Antifascista: “Notemos, enfim, que há nessa coligação a ‘Liga Comunista’. Todos esses partidos são aliados dos comunistas: certamente não é preciso dizer mais nada.” A edição nº 10 de O Homem Livre responde: “[…] aquele ninho de parasitas de batina que vive e se nutre da crendice do povo nos milagres da santa, já assestou as baterias contra os antifascistas do Brasil e boicota os seus jornais, ameaçando com o fogo eterno os que os lerem…” O HL também descreve as caravanas do líder integralista Plínio Salgado e seu jovem escudeiro Miguel Reale: “Os brasileiros das diversas ‘províncias’ serão submetidos, desta feita, ao inaudito suplício de engolir a indigesta e rançosa sopa que constitui a alimentação celestial do menino Miguel Reale. A menos que o divino Plínio não perca no mar as já oleosas e sujas papeletas, pois neste caso estaria para sempre liquidada a balbuciente eloquência do nosso mussolini-mirim.”

01/08 ‑ Buenos Aires ‑ Estudantes argentinos declaram greve geral em protesto contra a visita de uma delegação nazista ao país.

14/08 ‑ São Paulo ‑ O jornal O Homem Livre nº 11 pede a derrubada do Carandiru, considerado então um orgulho do moderno sistema prisional de São Paulo, parte até do roteiro turístico de autoridades estrangeiras em visita à cidade. O HL não se deixa impressionar pela modernidade da obra: “Se os franceses derrubaram a Bastilha, os brasileiros deveriam derrubar mil vezes a Penitenciária de São Paulo”.

22/08 ‑ São Paulo ‑ Um artigo na primeira página de O Homem Livre nº 12 analisa as ideias fascistas do general Góis Monteiro, futuro ministro da Guerra de Getúlio Vargas. Também na capa, uma defesa do ensino laico. Dentro do jornal, o artigo “Depois da morte de Giacomo Matteotti” lembra o sequestro e assassinato do deputado italiano por uma milícia fascista.

25/08 ‑ Paris ‑ A Oposição Internacional de Esquerda e mais três organizações ‑ SAP, RSP e OSP ‑ assinam a Declaração dos Quatro, chamamento à formação de uma nova Internacional, a IV.

setembro

02/09 ‑ São Paulo ‑ O jornal O Homem Livre nº 13 convoca as entidades que assinaram o programa de fundação da Frente Única Antifascista para que efetivamente se envolvam no desenvolvimento da luta. Também na capa, o jornal aponta que a concorrida disputa pelo lugar de líder dos fascistas brasileiros tem mais um candidato: o escritor Menotti del Picchia, que propôs dividir o país em 21 fascios, com 21 “Duces”. Dentro do jornal, entre tantos artigos, um anúncio do Freie Presse, uma publicação antinazista da comunidade alemã de São Paulo.

21/09 ‑ Leipzig ‑ Início do processo sobre o incêndio do Reichstag, que se encerra em 23 de dezembro.

outubro

09/10 ‑ São Paulo ‑ O Homem Livre nº 16 reproduz o trecho de uma matéria do Voelkischer Beobachter, jornal oficial do Partido Nazista alemão, que fala do Congresso de Nuremberg: “Lista dos representantes dos países que comparecerão, na qualidade de hóspedes de honra, ao Congresso nacional-socialista de Nuremberg: Estônia, Dinamarca, Bolívia, Egito, Portugal, Haiti, S. Domingos, Peru, Bulgária, Lituânia, China, Pérsia, Argentina, Noruega, Romênia, Letônia, Suíça, México, Sião, Hungria, Grécia, Estado Livre da Irlanda, Finlândia, Guatemala, Turquia, Itália, Afeganistão, Cuba, Nicarágua, Brasil”. O Homem Livre faz sua reclamação: “É pena que o jornal nazista tenha ocultado os nomes dos que representam os países acima nesse certame de bandidos”. O jornal lamenta em especial a ausência do nome do representante brasileiro em tal encontro: “Deixe de lado a modéstia, tire a máscara para nos permitir de ver-lhe o focinho de suíno”.

13/10 ‑ São Paulo ‑ No Presídio do Paraíso, em São Paulo, anarquistas, stalinistas e trotskistas lembram conjuntamente o aniversário do fuzilamento do pensador e pedagogo anarquista Francesc Ferrer. O jornal anarquista A Plebe conta como foi:

“Éramos vinte e cinco: vinte e cinco presos sociais. Embora divergentes em princípios e nos métodos de luta, entre todos os que nos achávamos no dia 13 de outubro entre as grades da cela nº 8 do ‘Paraíso’ (oh ironia!) comemorou-se conjuntamente a passagem do 23º aniversário do fuzilamento de Ferrer. A proposta partira dos nossos ‘primos’ stalinianos que lá se encontravam presos. Nós, os libertários, acedemos da melhor vontade; o mesmo fizeram os trotskistas presentes. A sessão teve início às quinze horas.

“O camarada Hermínio[1] abriu a sessão […] quando nosso camarada discursava, notamos que não o estava fazendo só para nós, que estávamos presos. Através dos cinquenta centímetros de grade, tivemos o gosto de ver que no corredor se havia aglomerado toda a população livre do presídio: funcionários, escrivães, cozinheiros, ajudantes e soldados da guarnição estavam atentos, uns disfarçadamente, outros rodeando a nossa cela transformada em salão.

“Ao terminar o discurso, ouvimos aplausos que partiam de outras celas, vivas à liberdade, e outras expressões de esperança e de condenação ao regime em que vivemos.”

14/10 ‑ Berlim ‑ Alemanha abandona a Liga das Nações.

15/10 ‑ Fortaleza ‑ Um bando de integralistas, acompanhados de militares, alunos do Colégio Militar e membros da Legião Cearense do Trabalho (liderada por Helder Câmara) invadem uma assembleia sindical que acontecia na sede da Liga Operária Independente, na praça do Ferreiro, em Fortaleza. Entram atirando e desferindo golpes de cassetete. Diversas pessoas ficam feridas, entre elas o professor Jader Carvalho, que discursava no momento da invasão e levou um tiro. A ação é celebrada por integralistas de todo o país.

O jornal O Homem Livre da semana seguinte denuncia a tática fascista e alerta: “O comunicado dos integralistas não disfarça o seu contentamento: ao contrário procura dar ao fato um caráter de vitória e de incitamento. Um exemplo a ser seguido por todos os componentes da capangada. Compreenderam os antifascistas agora […] que quando afirmamos que o fascismo visa aniquilar fisicamente os seus adversários, dizemos a verdade, e só a verdade?”.

novembro

São Paulo ‑ O A.U.C., jornal da Ação Católica Universitária, ataca a Frente Única Antifascista dizendo que é preciso “evitar que se alastre a centelha rubra que a ‘frente única’ judaica-maçônica-bolchevista procura lançar sobre nosso operariado”.

14/11 ‑ São Paulo ‑ Reunião de antifascistas no Centro de Cultura Social, em São Paulo, é interrompida por integralistas. A polícia observa sem fazer nada. Depois que o tumulto acaba e os integralistas fogem, os policiais atacam com tiros os antifascistas que voltavam para casa. Diversos sindicalistas são presos e espancados.

17/11 ‑ Washington ‑ Reconhecimento da URSS pelos Estados Unidos.

20/11 ‑ Niterói ‑ Gustavo Barroso, líder integralista e presidente da Academia Brasileira de Letras, irrita-se com Nair Coelho, uma jovem militante operária de Niterói, que vaiava uma manifestação integralista, e a agride a bengaladas. Segundo os jornais da época, ele teria quebrado um braço da jovem.

dezembro

01/12 ‑ Paris ‑ O jornal trotskista francês La Verité chama a formação de uma grande milícia proletária antifascista, reunindo comunistas, socialistas e anarquistas:

“A polícia os protege. Seu objetivo é idêntico ao fascismo italiano ou alemão: destruição das organizações da classe operária, reformistas ou revolucionárias.

“Recordai o que se passou na Alemanha! Forte de 15 milhões de votos, de sindicatos, de clubes, de corporações e de partidos, a classe operária foi espezinhada sem resistência pelos bandidos fascistas. Não deixaremos que isso se repita.

[…]

“O operário socialista, como o anarquista, sabe que a destruição dos comunistas significaria também seu fim. Todos devem, pois, constituir conjuntamente uma milícia, cujos objetivos devem ser delimitados, a fim que fique ressalvada a liberdade de cada membro ter suas próprias ideias.”

02/12 ‑ São Paulo ‑ A Plebe nº 48 publica um manifesto da Federação Operária de São Paulo:

“Companheiros: Diante do incremento que estão tomando as hordas integralistas mediante a proteção dos magnatas da indústria, das finanças, do Clero e das autoridades, a Federação Operária de S. Paulo se sente no dever de chamar vossa atenção para o perigo que constitui permanecerem indiferentes ao desenvolvimento do fascismo indígena.

“Os acontecimentos da Itália e Alemanha são por demais expressivos e nos demonstram a sorte que nos espera se os ‘Camisas-oliva’ adquirirem a força necessária para enfrentar o povo.

“As poucas liberdades que ainda disfrutamos, desaparecerão por completo.

“[…] Os anarquistas, comunistas, sindicalistas, socialistas e até os republicanos sinceros serão condenados a desaparecer. O assassino traiçoeiro e covarde esperará os que não queiram se submeter.

“[…] Se queremos evitar que o fascismo triunfe, não podemos perder tempo. Desde já devemos iniciar uma ação prática para exterminá-lo.

“[…] As rivalidades sociológicas, as discussões de princípio ou táticas, passam neste momento a ter caráter secundário ante o crime organizado. Combater o integralismo, é a suprema necessidade do momento.”

09/12 ‑ São Paulo ‑ A Plebe: “por trás dos ‘camisas-olivas’ está o reacionarismo clerical e a sombra negra das organizações policiais, ao serviço da plutocracia e do clero”.

13/12 ‑ Recife ‑ Criação da Ação Pernambucana Antifascista.

14/12 ‑ São Paulo ‑ A FUA realiza reunião na Lega Lombarda.

30/12 ‑ São Paulo ‑ A Plebe, no artigo “A última cria da clericanalha”, destaca a frase do cardeal Sebastião Leme: “O Duce é um homem providencial, o braço forte da Igreja”.

 

1934

O governo italiano, apesar de, intimamente, não considerar Plinio Salgado grande coisa e seu programa uma cópia ruim do programa fascista, orienta os fascistas brasileiros a se integrarem em massa à Ação Integralista, inclusive para se sobreporem à crescente influência nazista.

janeiro

03/01 ‑ São Paulo ‑ O jornal O Homem Livre denuncia que o Partido Nazista de São Paulo está fazendo seus treinamentos militares próximo da estação ferroviária Rio Grande. “Os exercícios principais a que se entregam são tiro ao alvo móvel, luta corporal, golpes de força e outros, especialmente indicados para assaltos de rua”.

10/01 a 12/01 ‑ São Paulo ‑ Acontece, na sede da Associação dos Empregados do Comércio de São Paulo, o Congresso do Partido Socialista Brasileiro, que ratifica a guinada à esquerda do partido, assumindo-se como social-democrata. É eleita uma nova direção, que inclui João Cabanas, Zoroastro Gouveia e o italiano Francesco Frola, um dos mais combativos antifascistas de seu tempo.

15/01 ‑ Havana ‑ Golpe de estado em Cuba, com o apoio do governo norte-americano, põe o coronel Fulgencio Batista no poder.

16/01 ‑ Fortaleza ‑ Lançamento do Flama, jornal antifascista do Ceará.

25/01 ‑ São Paulo ‑ Manifestação convocada pela Frente Única Antifascista para o Largo da Concórdia é violentamente dissolvida pela polícia.

26/01 ‑ São Paulo ‑ A polícia invade a sede da União dos Trabalhadores Gráficos, onde se realizava uma conferência do antifascista Francesco Frola, que é levado preso.

27/01 ‑ Fortaleza ‑ É criada a Frente Acadêmica Antifascista de Fortaleza.

fevereiro

12/02 a 16/02 ‑ Áustria ‑ Guerra Civil Austríaca, na qual o direitista Partido Social Cristão vence as milícias do Partido Socialista.

15/02 ‑ Espanha ‑ É fundada a Falange Española de las JONS (Juntas de Ofensiva Nacional Sindicalista), feroz grupo paramilitar de extrema direita. Seu líder, José Antonio Primo de Rivera, é filho do ex-ditador Miguel Primo de Rivera.

março

03/03 ‑ Vitória ‑ Realiza-se o 1º Congresso da Ação Integralista Brasileira.

maio

01/05 ‑ Fortaleza ‑ Manifesto do Partido Republicano Socialista do Ceará anuncia sua ofensiva contra a extrema direita do estado. “O principal objetivo da Ofensiva de Maio, neste Estado, é apressar a dissolução dos três fatores do fanatismo medieval que envergonham o Ceará: a Legião Cearense do Trabalho, a Ação Integralista e a Liga Eleitoral Católica”.

15/05 ‑ Riga ‑ Golpe de estado na Letônia e instalação de uma ditadura fascista.

17/05 ‑ Rio de Janeiro ‑ Fundação do jornal integralista A Offensiva.

20/05 ‑ Rio de Janeiro ‑ Desfile de 4 mil integralistas.

19/05 ‑ Sófia ‑ Golpe de estado na Bulgária. Assume o poder uma ditadura militar.

junho

09/06 ‑ São Paulo ‑ O jornal anarquista A Plebe traz uma notícia da Paraíba: “Na sede do Centro Paraibano, à rua Floriano Peixoto, nº 133, foi instalada a Frente Acadêmica Anti-Fascista”. E também informa que, no Ceará, foi dissolvido o Núcleo Integralista Gustavo Barroso, graças talvez à ação dos antifascistas locais.

14/06 ‑ Veneza ‑ Encontro de Hitler e Mussolini.

24/06 ‑ São Paulo ‑ Desfile de 3 mil integralistas.

30/06 ‑ Alemanha ‑ A “Noite dos Longos Punhais”. Uma luta interna nazista: Hitler faz as SS e a Gestapo massacrarem os membros da SA e possíveis rivais dentro do partido. São centenas de mortos e milhares de presos.

(O de bigodinho é o Plínio Salgado, líder dos integralistas. No canto direito, Gustavo Barroso faz cara de muito bravo)

julho

02/07 ‑ Salvador ‑ Desfile integralista na Bahia.

03/07 ‑ Niterói ‑ Inicia-se a 1ª Conferência Nacional do PCB.

15/07 ‑ Rio de Janeiro ‑ É promulgada a nova Constituição brasileira.

25/07 ‑ Viena ‑ O chanceler fascista Dollfuss é assassinado pelos nazistas austríacos, em uma tentativa frustrada de golpe de estado.

25/07 ‑ Paris ‑ Pacto de unidade na França entre o PC e o PS.

30/07 ‑ São Paulo ‑ A exibição de Mocidade Heroica, um filme de propaganda nazista, no Teatro São Paulo, provoca tumulto e é alvo de sabotagem. O Diário da Manhã deu sua versão dos fatos:

“A exibição de uma fita, a Mocidade Heroica, o filme de propaganda nazista, está destinado a uma trajetória tumultuosa. Quando apresentada no Odeon verificaram-se assuadas e tumultos, que obrigaram a polícia a intervir. Agora chegou a vez do São Paulo. Anunciada para ontem, o cinema encheu-se. Alemães, nazistas ou não, austríacos, judeus, fascistas e antifascistas. Esses espectadores iriam certamente se entrechocar, com evidente perigo para o sossego público, e por isso lá se encontravam, a postos, inspetores da Delegacia de Ordem Social.

“Já o espetáculo havia começado quando um odor enjoativo, repugnante mesmo, começou a invadir inteiramente a sala de exibição. Todos se sentiam incomodados, num mal-estar crescente. Ascenderam-se as luzes. Procedeu-se a uma vistoria, sendo encontrada uma bomba, preparada com ingredientes químicos, destinada a provocar enjoo. Outras, em número de cinco, foram igualmente encontradas nas dependências sanitárias e embaixo de uma escada.

“A notícia do encontro de bomba correu célere, provocando pânico entre os espectadores.”

(Miguel Reale, garoto prodígio do Integralismo e pai de Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma)

agosto

02/08 ‑ Neudeck (Polônia) ‑ Morte do presidente Hindenburg: Hitler assume suas funções.

17/08 ‑ Paris ‑ Acordo do PC e do PS italianos por uma frente comum antifascista. Na França, entrada dos membros da Liga Comunista (trotskista) no Partido Socialista.

setembro

05/09 ‑ Nuremberg ‑ O congresso do partido nazista em Nuremberg é filmado pela cineasta Leni Riefenstahl, e o resultado é Triunfo da Vontade (Triumph des Willens), uma das mais poderosas peças de propaganda política do século XX.

09/09 ‑ Sir Oswald Mosley havia convocado uma grande manifestação de seu British Union of Fascists para o Hyde Park, em Londres. Os antifascistas chamaram uma contramanifestação para o mesmo dia, horário e local, e por isso foram atacados pela imprensa, pelos partidos conservadores e pela direção do Partido Trabalhista (que diziam temer possíveis atos de violência). Compareceram 2500 camisas negras fascistas e, contra eles, uma multidão estimada entre 70 mil e 150 mil pessoas. Eram comunistas, anarquistas, socialistas, veteranas sufragettes, sindicalistas, judeus, imigrantes, trabalhadores em geral. Os fascistas tiveram que se retirar, protegidos pela polícia, humilhados, mas, ao que consta, sem ferimentos. Eis o testemunho de Ubby Cowan transcrito no livro Physical Resistance: A Hundred Years of Anti-Fascism, de Dave Hann:

“Milhares de nós caminhamos de Stepney Green para o Hyde Park, para nos opor a Mosley. Era uma caminhada de doze milhas e fazia um calor de rachar, então estávamos todos bem cansados quando chegamos ao centro de Londres. Por causa do tamanho da passeata, a polícia a interrompia a cada esquina, para permitir a passagem dos carros. Estávamos absolutamente extenuados quando chegamos, mas ali, no portão do Hyde Park, estava o Príncipe Monululu, famoso das corridas de cavalo. Onde tinha corrida de cavalo, a imprensa perguntava a opinião dele. Diziam que era da Etiópia, mas ninguém realmente sabia sua origem. Enfim, o Príncipe Monululu estava lá na entrada do Hyde Park, com aquela sua bata colorida, com as penas de avestruz no chapéu, dando bem vindos a nós em iídiche: ‘entrem, crianças’. Isso realmente levantou o ânimo de todo mundo depois daquela caminhada. Três ou quatro passeatas de várias partes de Londres convergiram para o Hyde Park naquela tarde e, no final, havia mais de 100 mil pessoas. Foi como um carnaval, com discursos, bandas e centenas de faixas. Todo mundo junto para mostrar sua oposição ao fascismo.”

15/09 ‑ Nuremberg ‑ Na Alemanha, os nazistas proclamam a primeira das Leis de Nuremberg, legislação antissemita, a “Lei para proteção do sangue alemão e da honra alemã”, que proíbe casamentos ou relações sexuais entre “arianos” e judeus.

18/09 ‑ Genebra ‑ Admissão da URSS na Liga das Nações.

29/09 ‑ São Paulo ‑ A Plebe: “Protegidos pelas balas da polícia e à sombra do bafejo oficial do Governo, manejando os recursos da burguesia, da qual são lacaios, os integralistas prometem fazer, no dia 7, nas ruas da capital, mais uma demonstração de servilismo à tirania capitalista, exibindo suas camisas, símbolo de estupidez e mistificação. Até quando o proletariado permitirá essa afronta? É necessária uma atitude decisiva contra esses incubadores da reação, da guerra e da tirania, que pretendem afogar a liberdade em sangue.”

outubro

03/10 ‑ Bauru (SP) ‑ Tiroteio entre os integralistas e membros do Sindicato dos Empregados da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Nicola Rosica, servente da Noroeste, é morto com um tiro. Os integralistas acusam os sindicalistas pela morte e transformam Rosica no primeiro mártir dos integralistas na luta contra o comunismo.

07/10 ‑ São Paulo ‑ A Batalha da Praça da Sé, entre integralistas e antifascistas.

10/10 ‑ Rio de Janeiro ‑ O Jornal do Povo, dirigido pelo Barão de Itararé, principal divulgador do termo “galinha verde” para descrever os integralistas, dá a manchete: “Um integralista não corre, voa”. Abaixo da foto da Praça da Sé, vem o texto: “A debandada integralista, como se vê, foi na mais perfeita desordem. Vê-se à esquerda um galinha-verde escondido atrás do poste, e no centro vários outros acocorados. A retirada dos 10 mil… Salve-se quem puder! E os integralistas, que gostam das frases sonoras bem sonantes, repetiam nessa hora, acompanhados pela castanhola dos dentes: ‘morra meu pai que é mais velho!’”

14/10 ‑ São Paulo ‑ Eleições para a Assembleia Constituinte Estadual paulista. A Coligação Proletária elege Romeu de Carlos Vergal.

14/10 ‑ Moscou ‑ Congresso Latino-Americano de PCs, que delibera adotar a política de frente popular.

16/10 ‑ Início da “Grande Marcha” na China.

19/10 ‑ Rio de Janeiro ‑ O Barão da Itararé, diretor do Jornal do Povo, é sequestrado por um grupo de oficiais da Marinha (onde abundam os integralistas) e espancado. Os militares rapam sua cabeça e o deixam nu em Jacarepaguá. É por isso que depois o Barão toma a providência de colocar um aviso na porta da redação: “Entre sem bater”.

20/10 ‑ Cruzeiro (SP)‑ Mais um comício de Plinio Salgado é dispersado pela multidão de antifascistas, desta vez no interior de São Paulo. A Plebe diz que os integralistas tiveram que se refugiar em um hotel, sob proteção da polícia.

França ‑ Trotsky publica “Para onde vai a França?”, no qual defende a formação de milícias armadas operárias e camponesas:

“O fascismo encontra auxiliares inconscientes em todos aqueles que dizem que a ‘luta física’ é inadmissível e sem esperanças […] Nada é tão perigoso para o proletariado, especialmente nas condições atuais, que o veneno açucarado das falsas esperanças. Nada aumenta tanto a insolência dos fascistas quanto o brando ‘pacifismo’ das organizações operárias.

“[…] Sem o apoio das massas, a milícia não é nada. Mas, sem destacamentos de combate organizados, as massas mais heroicas serão esmagadas, em debandada, pelos grupos fascistas.”

novembro

17/11 ‑ São Paulo ‑ Acontece o Festival da Solidariedade, pela libertação dos anarquistas detidos na prisão da Rua dos Gusmões. O evento é promovido pelo Comitê Pró Presos Sociais.

dezembro

01/12 ‑ São Petersburgo ‑ Assassinato do bolchevique Sergei Kirov. O mandante mais provável é Stalin, que, no entanto, usa o fato para atacar seus próprios inimigos. É o início do Grande Expurgo, com o qual Stalin liquidou qualquer traço de oposição no Partido Comunista. Dos 139 membros da direção do partido, 98 foram executados. Dos quinze generais do Exército Vermelho (criado por Trotsky), treze foram executados, assim como dezenas de milhares de oficiais. A repressão também atingiu de maneira brutal artistas, escritores, cientistas, professores e tantos outros. Ao todo, teriam sido mortas entre 950 mil e 1,2 milhão de pessoas. Ao final, daqueles bolcheviques que estavam no Politburo no momento da Revolução de 1917, sobraram apenas Stalin e, no exílio, Trotsky (que acabou sendo assassinado no México, a mando de Stalin, em 21 de agosto de 1940).

16/12 ‑ Rússia ‑ Prisão de Zinoviev e Kamenev.

 

1935

 

janeiro

01/01 ‑ Rio de Janeiro ‑ Lançamento da revista integralista Anauê.

15/01 a 18/01 ‑ Rússia ‑ Julgamento de Zinoviev, Kamenev e outros velhos bolcheviques.

fevereiro

24/02 ‑ São Sebastião de Caí (RS) ‑ Tumulto durante um desfile da Ação Integralista. José Luis Schröeder é morto e se torna mais um “mártir da luta contra o comunismo”.

março

07/03 ‑ Petrópolis ‑ Realizado o II Congresso da Ação Integralista Brasileira.

09/03 ‑ Cuba ‑ Greve geral contra a ditadura de Batista, liderada pela Federación Obrera de Havana, dirigida por trotskistas.

28/03 – Estreia o filme Triunfo da Vontade, encomendado pelo governo nazista à cineasta Leni Riefenstahl.

30/03 ‑ Rio de Janeiro ‑ Lançamento da Aliança Nacional Libertadora, uma frente popular antifascista que reúne tanto representantes da esquerda operária como da oposição burguesa e tenentistas. Luiz Carlos Prestes é aclamado seu presidente de honra.

abril

Florianópolis ‑ Luiz Carlos Prestes chega clandestinamente ao Brasil.

09/04 ‑ Moscou ‑ Acordo comercial germano-soviético.

maio

02/05 ‑ Moscou ‑ Assinatura do pacto de assistência mútua franco-soviético.

12/05 ‑ Varsóvia ‑ Morte do ditador polonês Jozéf Pilsudski.

junho

09/06 ‑ Petrópolis ‑ Luta entre membros da ALN e os integralistas. Um operário é morto.

12/06 ‑ Fim da Guerra do Chaco.

França ‑ Redação da “Carta Aberta pela IV Internacional”, por Leon Trotsky.

julho

05/07 ‑ Rio de Janeiro ‑ Durante uma manifestação da Aliança Nacional Libertadora, é lida, contra a vontade de outros dirigentes, um manifesto de Prestes em que ele pede a derrubada do governo Vargas.

12/07 ‑ Rio de Janeiro ‑ O governo aplica a recém-aprovada Lei de Segurança Nacional e extingue a Aliança Nacional Libertadora.

25/07 ‑ Moscou ‑ É realizado o 7º Congresso da Internacional Comunista, que se encerra em 20 de agosto.

(Carlos Lacerda lê a carta de Prestes)

agosto

09/08 ‑ Ilhéus (BA) ‑ Uma bomba explode na sede local da Ação Integralista Brasileira.

outubro

02/10 ‑ Roma ‑ Declaração de guerra da Itália à Etiópia.

07/10 ‑ Blumenau ‑ Congresso Integralista de Santa Catarina.

19/10 ‑ Congresso Integralista no Rio Grande do Sul, com participação de Gustavo Barroso.

novembro

08/11 ‑ Salvador ‑ Congresso Integralista da Bahia.

22/11 ‑ São Paulo ‑ A Frente Popular pela Liberdade lança um manifesto contra o integralismo e o imperialismo.

23/11 ‑ Início da desastrosa Intentona Comunista promovida pelo PCB a partir das orientações do Comintern. Natal (23), Recife (24) e Rio de Janeiro (27) são sacudidas por insurreições prontamente reprimidas. Era o pretexto que Vargas esperava para baixar uma feroz repressão contra os opositores de seu regime, mesmo aqueles, como os socialistas, trotskistas e anarquistas, que não tinham qualquer envolvimento na insurreição. O movimento operário é cruelmente reprimido e sua imprensa, proibida. Fúlvio Abramo é um dos presos, e mais tarde seria obrigado a se exilar na Bolívia.

E a luta antifascista continua.

[1] Provavelmente Hermínio Marcos Hernandez.

 

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