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por Ana Luiza Koehler*

Porto Alegre é a conhecida capital do Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil. Sobre uma colina que se prolongava acima do lago Guaíba, bem ao gosto da colonização portuguesa que lançou no terreno acidentado o traçado de suas ruas ainda no século 18, o pequeno assentamento inicial de casais açorianos cresceu e, na década de 1920, começou a ganhar suas características de cidade moderna.

Mas como ocorreu essa modernização? Teria sido a mesma que plantou arranha-céus em Nova York ou que produziu o cinema expressionista na Alemanha? Essa foi a pergunta que me fiz quando comecei a pesquisar e a escrever esta história, e intuí que a resposta era: não. Então, como teria acontecido essa modernidade em uma cidade periférica de um país periférico ainda tão marcado pela escravidão de sua população negra e pela desigualdade brutal de seu povo?

E como era essa Porto Alegre que tão pouco se parece com a de hoje, com seu centro histórico de prédios altos e grandes avenidas? Como a Porto Alegre de 1920 se tornou a Porto Alegre de 2020? E quem viveu essas mudanças? Comecei respondendo a essas perguntas através de meus personagens. Eles existiram realmente? Não, são criações ficcionais, mas certamente houve pessoas como eles.

Pessoas que, como Vitória, moravam nos mal-afamados becos de Porto Alegre. Muitos deles, ao serem demolidos para a construção de grandes avenidas, obrigaram pessoas como ela a ir morar mais longe. E, como Vitória, muitas mulheres negras de Porto Alegre almejaram ir além das poucas possibilidades de vida que uma sociedade racista lhes oferecia.

Pessoas como Fabrício, para quem as mudanças do mercado de trabalho não permitiram ter seu talento plenamente aproveitado.

Pessoas como o privilegiado Teo, cuja ligação recente com a Europa o fazia pensar em Porto Alegre como uma cidade alemã. Pessoas como sua irmã Frederica, igualmente privilegiada, embora frustrada em seu casamento.

É por meio delas e dos laços entre elas que essa história de mudança de Porto Alegre é contada. E é através dessas pessoas que espero que quem ler esta história
possam percorrer outros caminhos dessa cidade e viver experiências de outros tempos.

Tempos já distantes, mas que se assemelham muito ao nosso.

*Nascida em Porto Alegre, Ana Luiza Koehler é quadrinista, ilustradora e arquiteta de formação. Produz quadrinhos desde os 16 anos, especialmente para o mercado franco-belga, e já trabalhou com editoras como a Soleil Productions, a Fauvard e a DC Comics, além de desenvolver ilustrações científicas nas áreas de história e arqueologia.

Escrito em paralelo com seu mestrado em arquitetura sobre as mudanças urbanísticas da cidade gaúcha, Beco do Rosário teve seu primeiro volume publicado em 2015 e foi vencedor do Troféu HQ Mix na categoria de melhor publicação independente. A história agora retorna com o primeiro e segundo volume, inédito, reunidos em uma edição integral, lançada pela Veneta com apoio do programa Rumos Itaú Cultural. Já  disponível aqui no site!

 

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