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*Por Rômulo Luis

Nick Drnaso – foto de Olivia Obineme/The Observer

Nascido em 1989 em Palos Hills, Illinois, perto da efervescente cena quadrinística de Chicago, Nick Drnaso vem se consolidando como um dos maiores e mais importantes autores de quadrinhos contemporâneo. Seu livro de estreia, Beverly (2016), um compilado de histórias curtas sobre a tragédia das relações humanas, ganhou três indicações ao prêmio Ignatz e um LA Times Book.

Mas foi Sabrina, seu segundo livro, que colocou o nome de Nick no mapa. A história trata do desaparecimento de uma jovem chamada Sabrina e acompanha os efeitos dessa tragédia na vida das pessoas ao seu redor. As disseminação de fake news e teorias de conspirações sobre o caso torna a situação ainda mais insustentável para a família e amigos da jovem. Sabrina se tornou um best-seller e conquistou a crítica internacional, fazendo história como a primeira HQ indicada ao Man Booker Prize, considerado o prêmio mais importante da literatura de língua inglesa. Lançado pela Veneta em junho, você pode encontrar o livro aqui no site e nas melhores casas do ramo.

Diretamente de sua casa em Chicago, onde já vem trabalhando no próximo projeto, ele concedeu uma entrevista para o nosso blog, na qual fala sobre referências, processo criativo e até sobre a adaptação cinematográfica!

Obrigado pela entrevista, Nick. Como tem passado os últimos dias de quarentena? Vem trabalhando em algo novo?

Nick: Estou bem. Por sorte, tive a oportunidade de ficar seguro em casa e trabalhar em um outro livro grande. O projeto está num ritmo bom, já terminei por volta de 170 páginas.

Sabrina faz referências diretas e indiretas a pessoas e eventos reais como as teorias de conspiração sobre Sandy Hook ou a figura do Alex Jones. Como foi essa escolha de tópicos durante o processo criativo?

Nick: Eu diria que foi um processo bem orgânico. Acabei não prestando muita atenção em como o livro seria percebido pelos leitores, então não pensei muito sobre como explicar algumas das minhas decisões, o que pode ter sido um erro da minha parte. Eu teria afastado o radialista do paralelo com o Alex Jones, por exemplo, porque a maioria das pessoas acabaram por presumir que [o radialista] foi feito para ser ele, o que não era necessariamente a minha intenção. Quando eu comecei a pensar no livro em 2014, Jones era um indivíduo mais desconhecido, ainda não era uma figura popular, então não pensei que esse paralelo seria tão óbvio.

É curioso porque o que a maioria das pessoas pensa ao ver Sabrina pela primeira vez é que a arte é bastante simples. Mas de fato lendo a HQ, minha impressão é o oposto. Tudo parece meticulosamente calculado, desde a organização dos quadros à composição dos cenários. Tudo tem uma função na narrativa, nada está lá por acaso. Você se considera um artista obsessivo? Como acontece o processo de construção de uma página?

Cena de Sabrina

Nick: Eu tento ser o mais cuidadoso e atencioso possível nas minhas decisões visuais, talvez seja isso que acaba criando esse estilo frio e controlado. Tentei me soltar um pouco mais e botar um pouco de vida no meu desenho nesse novo projeto, então agora, quando eu me lembro de Sabrina, ele acaba me parecendo minimalista e desajeitado demais. Eu não sou um artista com talento nato. Até as páginas mais simples tomam muito do meu tempo, já que esse tipo de coisa não é necessariamente fácil para mim.

Sabrina teve os direitos vendidos para adaptação audiovisual. Não sei em qual etapa o projeto está, mas fico pensando… um dos maiores méritos da obra está no quanto ela entende e utiliza os recursos dos quadrinhos como mídia. No caso de um adaptação, como você acha que isso funcionaria? E você vai ter algum envolvimento na produção?

Nick: Até onde eu sei o projeto já tem um roteirista, mas isso tudo já foi divulgado, então não estou revelando nenhum segredo. Estar envolvido nunca foi a minha intenção, então eu provavelmente não vou participar da produção. Como você disse, a história vai ter que ser adaptada para uma mídia diferente, e, por conta disso, estou mais interessado em passar o material para as pessoas de um meio diferente e ver o que elas fazem com ele.

Você disse no passado que foi mais influenciado por filmes do que por quadrinhos. Quais filmes foram os mais marcantes na sua formação?

Nick: Eu acho que quando disse isso, quis dizer que eu passei minha adolescência vendo muita TV e muitos filmes, e não me interessando muito por literatura e quadrinhos, então a tela talvez tenha tido mais influência [sobre mim] do que a página. Isso com certeza mudou quando fiquei adulto. Enfim, os filmes da Kelly Reichardt são muito importantes para mim. Sempre gostei de documentários, coisas do Errol Morris, do diretor inglês Alan Clarke – inclusive, acabei de comprar um box com filmes dele.

Cena de Scum (1979), de Alan Clarke

Antes de se tornar quadrinista, você pensou em seguir alguma outra forma de arte?

Nick: Na verdade, não. Eu passei a maioria do meu tempo colecionando música, mas nunca fui capaz de dominar um instrumento ou de escrever meu próprio material [musical].

Chicago tem uma longa e gloriosa tradição de quadrinhos, que começa no início do século 20 e continua até hoje, com o Chris Ware por exemplo. Como você se vê dentro desta tradição?

Retrato de Nick Drnaso por Chris Ware, para a New Yorker.

Nick: Foi meio que acidental. Eu cresci nos subúrbios, logo ao lado da cidade, e me mudei pra Chicago em 2009, então não conheci mais nada. Me sinto sortudo que existia um histórico tão grande de quadrinhos, que eu nem sequer sabia da existência antes de entrar na faculdade de artes e começar a aprender sobre a mídia.

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