Editora Veneta


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Por Leticia de Castro

Nascida em São Paulo, em 1989, Aline Bispo é artista visual, ilustradora e curadora. Começou sua carreira grafitando as ruas da cidade e hoje trabalha com pintura, gravura, fotografia e performance. São dela as ilustrações do livro Serena finitude, escrito por Anelis Assumpção. Terceiro lançamento do nosso selo infantojuventil Outra história | Oh! a obra é uma investigação sobre a morte, a vida e o amor, sob o olhar afetuoso de duas garotas, as irmãs Serena e Curiosa. Com uma linguagem lírica e potente, o livro é uma homenagem à cantora, compositora e produtora cultural Serena Assumpção (1977-2016).

Aline Bispo. Crédito: Rodrigo Fuzar.

Batemos um papo com Aline sobre sua infância, e sua relação com os livros e as artes visuais.

 

VENETA: O que você mais gostava de fazer quando criança?

ALINE BISPO: Da minha infância tenho recordações muito felizes e de felicidade em coisas sutis, o que eu mais gostava de fazer era brincar, brincar até me cansar, de tudo que eu pudesse: boneca, bola, pega-pega, coisas que envolvessem outras crianças de modo divertido. De mais introspectivo, eu amava desenhar, desenhava roupas, inspiradas nas revistas de corte e costura da minha mãe. Também gostava de fazer roupas para as bonecas.

 

V.: Gostava de ler? O quê?

A. B.: Quando criança, eu gostava de ler. Quando bem pequenina tive livros de contos infantis, ouvia alguns discos antigos ou fitas k7 com histórias musicadas, que vinham com os livros dessas histórias. Quando tinha 9 ou 10 anos me lembro que ganhei um livro do Sherlock Holmes de uma professora, pois íamos entrar em férias e eu estava muito comprometida com aquela leitura. Nessa fase me interessavam os livros de mistérios, de enigmas que envolvessem crianças na trama, gostava de coisas que me fizessem imaginar como seria fazer parte daquele enredo.

A pequena Aline Bispo. Acervo pessoal.

 

 

 

V.: Quando começou a desenhar e o que gostava de desenhar quando criança?

A. B.: Eu sempre gostei de desenhar. Quando criança, desenhava de tudo, depois comecei a desenhar vestidos. Dizia que queria ser estilista, às vezes arquiteta, em outro momento, veterinária. E lá ia eu desenhar animais também. Minha mãe tinha o hábito de escrever receitas e sonhos e em seus cadernos ela fazia pequenos desenhos ao lado dos escritos, ilustrando aquele sonho, desejo ou receita que havia visto na televisão. Foi em 2008 que eu comecei a desenhar para que outras pessoas, inclusive que eu não conhecia, pudessem ver meus trabalhos, inicialmente por meio do grafite, depois pela ilustração, que é uma das escolas que me acompanha até hoje.

 

V.: Como era o seu contato com arte na infância? Você frequentava museus e exposições?

Aline Bispo. Acervo pessoal.

A. B.: Eu passei a frequentar museus e exposições no início da adolescência. Quando criança vi um pouco de arte no Embu das Artes, que é uma região próxima ao Campo Limpo, onde os artistas ocupam a praça. Mas a minha consciência da importância daquilo e o interesse em fazer parte de espaços como esse só veio mais velha. Porém, ainda criança, tenho a memória de uma vizinha de quintal de quem me lembro que pude pegar algumas revistas Bravo antigas e que iriam para o lixo e me lembro de

ver os trabalhos de Fernando Botero pela primeira vez. Até hoje, sempre que ouço o nome dele, eu volto no tempo para essa revista.  Antigas revistas de moda, comportamento e design, dos anos 1970, também foram muito importantes para o início do meu repertório visual.

 

V.: Serena finitude fala de um assunto delicado, que está presente na vida de adultos e crianças. Especialmente agora, durante a pandemia, muitas crianças perderam parentes. Você se lembra qual foi o seu primeiro contato com a morte e como passou a entender o seu significado, ainda na infância?

A. B.: Meu primeiro contato direto com a morte não foi com a morte de humanos, mas com a partida de animais de estimação que tivemos na casa onde morei até os 12 anos. Foi muito importante para eu pensar sobre a relação da partida e pensar sobre como aquilo seria algo inevitável ao longo da vida.

 

 

 

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