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Direito das mulheres ao voto foi conquistado há exatos 90 anos, em 24 de fevereiro de 1932,

graças à mobilização do movimento feminista, que tinha, entre suas líderes, Bertha Lutz

Por Angélica Kalil

Ilustração: Amma

Pense em uma panfletagem nos anos 1920: subir em um avião, quando a aviação ainda estava começando, e jogar lá de cima folhetos em defesa do voto feminino no Brasil. Esta cena incrível, que abriria lindamente uma série sobre as sufragistas brasileiras, faz parte da memória das mulheres do nosso país. Ninguém nos tira. E teve como uma de suas principais protagonistas Bertha Lutz.

Na foto do Arquivo Nacional, que ilustra este texto, está Bertha Lutz, uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), em 1928, em Natal, antes de fazer um desses voos feministas. Sim, voos feministas.

Sempre é bom lembrar que, até mesmo as que se dizem não feministas, antifeministas ou que acreditam poder se dar ao luxo de serem indiferentes ao feminismo, usufruem dos direitos conquistados pelas mulheres feministas que vieram antes de nós. É fato, que lidem com isso.

Bertha Lutz em campanha pelo voto feminino em Natal (1928). Arquivo Nacional/ Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.

Se não fossem as feministas, as mulheres brasileiras não teriam conquistado o direito ao voto há exatos 90 anos, no dia 24 de fevereiro de 1932. Ah, mas elas se diziam feministas naquele tempo? Muito. Essa palavra – feminismo – está em inúmeros documentos que a Bertha Lutz escreveu e deixou cuidadosamente organizados e arquivados. Tive acesso a eles pelas mãos da historiadora Teresa Novaes quando eu estava pesquisando para o roteiro da HQ Bertha Lutz e a Carta da ONU, que fiz com a minha querida amiga ilustradora e feminista, Amma.

Em algumas páginas, ela desenhou as personagens sobre fotos da época. Quando a Bertha, já mais velha, lembra de sua trajetória, está lá a do avião. Nos traços, a sensibilidade da Amma na alegria da Bertha, sorriso no rosto, vestido ao vento, esperança de ver um mundo mais justo, onde as mulheres tivessem o direito a também decidir os rumos da humanidade. Esse mundo onde só os homens têm poder, como estamos vendo, não deu muito certo.

Cartão Postal da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Centro de Memória/ Unicamp.

Aqui no Brasil a conquista do voto feminino aconteceu em 1932. Antes de países como Chile (1934), França (1944), Grécia (1952), México (1953) e Suíça (1971), por exemplo. O primeiro foi a Nova Zelândia (1893) – oi, Jacinda Ardern – e o último Arábia Saudita (2015).

Quando as minhas avós Albertina e Lygia nasceram, no Brasil do começo dos anos 1920, as mulheres ainda não podiam votar nem receber votos. É muito recente, muitas de nossas antepassadas não tiveram esse direito. Lembre delas quando estiver na sessão eleitoral votando. Aliás, esse ano tem eleição. Honre seu voto de mulher.

 

Sobre as autoras:

Angélica Kalil: Escritora e roteirista, é coautora, com Mariamma Fonseca, de Bertha Lutz e a Carta da ONU (Veneta, 2022), Amigas que se encontraram na história (Quintal edições, 2020), ganhador do prêmio Jabuti na categoria juvenil, e Você é feminista e não sabe (independente), livro que deriva de seu canal de YouTube com o mesmo nome. Formada em jornalismo, tem pós-graduação em roteiro para cinema e televisão pela Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha. Nasceu em Porto Alegre (RS) e vive em São Paulo (SP).

Amma: Coautora, com Angélica Kali, de de Bertha Lutz e a Carta da ONU (Veneta, 2022), Amigas que se encontraram na história (Quintal edições, 2020), ganhador do prêmio Jabuti na categoria juvenil, e Você é feminista e não sabe (independente), é quadrinista e ilustradora. Nascida em Eunápolis (BA), vive atualmente em Belo Horizonte, é formada em jornalismo e tem pós-graduação em livros para a infância.

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